Quem Escolhe o Time do Meu Filho Sou Eu!

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A decisão que leva um casal a ter um filho envolve muita reflexão, contas e um consenso absoluto. A decisão do time que ele vai torcer, ao contrário, é imediata, unilateral e acontece antes mesmo que ele exista ou tenha uma consciência.

Amigos, familiares e colegas de trabalho tentarão de todas as formas que o bebê tenha outro time, que não o de seu pai. E farão uso de métodos baixos, como dar de presente roupinhas fofinhas, toalhinhas, mamadeiras, chupetas, uniformes completos e até mesmo chuteiras com a marca de times adversários.

– Mas você vai mesmo jogar fora o presente que seu irmão deu para nosso filhinho?!

– Claro que não. Usaremos como pano de chão!

Um pai deve se imbuir do espírito de um guerreiro samurai para revidar toda e qualquer tentativa de mudar o time que ELE escolheu, afinal, ELE detém todos os direitos e ELE tem a prioridade na escolha, porque não dá para esperar que a criança cresça e escolha. Pra que correr esse risco desnecessário?

Time é coisa sagrada, e é hereditário. É inconcebível que um filho tenha um time diferente daquele que faz o pai sorrir e sofrer.

Cheguei a incentivar que meu afilhado tivesse o mesmo time do pai mesmo sendo diferente do meu quando percebi que forças poderosas tentavam ele com um terceiro time. Claro que meu time é melhor, mas priorizei a harmonia entre pai e filho e o equilíbrio do Universo.

Afinal, como ir ao estádio de futebol com camisas diferentes e sentar em torcidas diferentes?

Como torcer contra o time do filho ou o time do pai em duelos diretos sem que haja estremecimento nas relações familiares?

Como zoar sem magoar a paternidade?

Levar o filho pela primeira vez ao estádio ver uma partida de futebol é algo incrível, mas requer um ritual e passa por um longo período de convencimento da mãe, que exige que nós:

1) Não iremos a jogos com grandes torcidas adversárias.

2) Não iremos sentar próximo à torcidas organizadas (recomenda-se ficar entre ela e a torcida adversária).

3) Não iremos desgrudar os olhos dele nem mesmo durante os lances de gol.

4) Não iremos nos envolver em qualquer tipo de tumulto. Nem mesmo ônibus cheio na volta do jogo.

5) Não iremos ensinar novas palavras que ele possa repetir durante os encontros familiares ou nas aulas de catecismo.

É óbvio que não vamos a um jogo contra um time que perdemos 7 em cada 10 partidas. Escolhemos um no qual a probabilidade de sairmos felizes seja imensa (veja bem, eu não disse grande). É questão de sobrevivência. Se o filho perceber que o time que seu pai torce vive sendo derrotado, goleado e massacrado pelos adversários, nada no mundo o convencerá de que deve ser fiel a ele. E o desgosto virá, e ele será amargo como um jiló.

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Assistir um jogo de futebol em um grande estádio, cantar junto o hino do time, abraçar nosso filho quando o time faz um gol, fazer selfies com o gramado no fundo, vestir o mesmo uniforme, comer um cachorro-quente da Geneal e sair do estádio com a multidão exaltando a vitória são momentos únicos, felizes e inesquecíveis. E não é privilégio de meninos não! As meninas curtem tanto quanto, e são torcedoras surpreendentes!

Mas não exagere: é normal que os filhos testemunhem momentos de euforia e depressão do pai por causa do resultado de um jogo. No entanto, eles precisam perceber que o pai aceita as derrotas como algo possível, e comemora as conquistas sem precisar ficar inconsciente por efeito do álcool. Isso passa uma imagem de equilíbrio, e eles serão o seu reflexo.

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Por tudo isso, quando ele já estiver com idade suficiente para dividir o sofá e a pipoca com você diante de um jogo de futebol do seu time, aja com a maturidade que for possível numa situação destas. Eles vão te imitar. Lembre-se sempre disso!

É sabido que o futebol, assim como os demais esportes, são práticas muito semelhantes à situações da vida real. As crianças aprendem desde cedo que às vezes se ganha e às vezes se perde. Que é bom demais vencer e comemorar, assim como é chato quando somos derrotados e ficamos tristes. Aprendem que quando alguém ganha, alguém perde. Que é preciso estar muito bem preparado para ganhar mais do que perder. E que perder não é o fim do mundo, mas um sinal de que é preciso mudar o que está errado, e voltar a vencer.

Claro que passar estas lições durante um jogo é algo inviável, pois as emoções estão exacerbadas. Mas use o futebol como referência quando ele for mal em uma prova, da mesma forma que quando realizar conquistas. No universo infantil, conseguir andar sem as rodinhas da bicicleta pode corresponder a ganhar uma Libertadores da América.

A torcida por um time de futebol é uma paixão! Compartilhar este sentimento com seu filho, sua paixão, eleva a paternidade a um nível de comunhão. Torça, mas torça muito com e pelo seu filho! Ambos ainda te darão muitas alegrias!

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Febre Infantil: A Angústia da Paternidade

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39.1º “bip” 39.2º “bip”, 39.3º “bip” 39.4º “bip” 39.4º “bip” 39,4º “bip bip bip”. Por um tênue instante fiquei aliviado pelos três bips. Tempo suficiente para perceber que a temperatura ainda era muito alta. Garganta? Sarampo? Manchas pelo corpo? Tosse? Palidez? Você já passou por esta situação?

– Encosta a cabecinha no peito, filha!

Por que sempre passa pela nossa cabeça que a virose que o médico falou ao telefone seja o de uma doença quase sempre fatal?

A angústia em encontrar uma razão para uma febre repentina ao mesmo tempo em que buscava ter calma e equilíbrio emocional para encontrar uma solução que trouxesse a saúde de volta o mais rápido possível, me dava forças para proteger e curar a cria, como se lutasse pela minha própria vida. Família!

Os olhinhos caídos, a boca trêmula e a falta do sorrisinho desdentado anunciavam melancolicamente a chegada da noite. Reter sua testa enquanto seu estômago revolto expulsava o remédio amargo duramente engolido me fez voltar à infância e perceber como este gesto era de evidente paternidade. Eu estava agora “do outro lado”, enquanto meu pai observava de muito longe a repetição da lição aprendida enquanto cuidava da neta que não pôde abraçar.

As minhas brincadeiras patéticas arrancaram dela um sorriso débil (além de um comentário jocoso do enciumado irmão mais velho), mas foram insuficientes para dissolver o aperto no meu coração.

Ajudar um ser tão frágil, que não sabe ainda expressar seus sentidos expõe nossa impotência, inexperiência e potencializa o medo de errar com quem mais amamos. É preciso ser humilde e pedir ajuda a quem já experimentou e, fundamentalmente, ao seu pediatra. Você pode até ficar receoso de acordá-lo no meio da noite, mas com certeza ele voltará a dormir com a consciência dos abençoados.

Nessas horas difíceis, é absolutamente essencial que o casal se mantenha unido, se ajude e se apoie. Não há espaço para acusações, culpas ou remorsos. O único propósito consiste em cuidar do filho. E para isso o amor tem de superar todas as diferenças. Lembre-se dele quando a crise passar!hand-in-hand-1696833_960_720

Então, em um gesto de evidente ternura, fechei meus olhos e encostei minha bochecha na dela na suposição vazia de que poderíamos trocar calor e assim baixar sua febre, mas a sensação térmica me impulsionou a tirar novamente a temperatura: 39.7º. Não dava mais para esperar o antitérmico fazer o efeito desejado.

Corri e liguei o aquecedor às dez da noite mais fria do ano. Logo ela começou a chorar pelo frio que iria sentir e soluçou em pranto lento quando a pusemos em baixo do chuveiro. As lágrimas salgavam a água que corria sobre seu rosto quente enquanto meu espírito se enfraquecia, como se estivesse doando parte de minha luz a um ser que carece de compaixão. O amor mútuo se encarregará, mais tarde, de recarregar a alma esvaziada em favor de um filho.

Baixinho, pedi desculpas inúteis a ela pelo sacrifício que a impunha, mas ela não me deu atenção. Sentada no chão do box, a água morna caindo sobre seu corpinho encolhido, tremia sob o olhar atento e exausto da mãe sentada no bidê, aguardando que a febre fosse embora junto com a água, ralo adentro. Busquei uma bonequinha para que ela pudesse brincar, como forma de livrar minha consciência de uma culpa ao mesmo tempo improcedente e doída.

Em comunhão, pai e mãe revezavam o sono por toda a noite, vigilantes cansados, mas atentos de um filho carente de atenção e cuidados vitais. E nem mesmo a lembrança das obrigações profissionais ao amanhecer faziam sentido diante da responsabilidade maior e primordial de proteção.

Finalmente, tarde da noite, o calor do seu corpinho cedeu lugar a uma sudorese abundante. O gesto de trocar seu pijaminha encharcado por um seco e quentinho simbolizava a vitória da vida e o fim de uma luta contra um inimigo invisível, materializado por um termômetro inocente, mas perverso em suas oscilações térmicas de angústia e alívio.

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La La Land e o Discurso Ignorado que não será Esquecido

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Final do Oscar 2017: La La Land é escolhido o melhor filme! Comemorações, muita alegria, cumprimentos e três discursos de agradecimento. Opa! Parece que alguém se enganou. E Moonlight leva a estatueta pelo melhor filme, invertendo emoções: quem estava triste, fica feliz. Quem estava feliz, fica triste. Os demais ficam atônitos com tanta trapalhada. Mas, e os discursos pela efêmera conquista de La La Land? Ignorados? Ninguém se importa mesmo com eles?

Durante aqueles poucos minutos de euforia, o produtor de La La Land, Jordan Horowitz, fez um discurso emocionado onde agradeceu às pessoas que foram essenciais para que ele conseguisse seu feito. Em um dado momento disse: “Obrigado aos meus pais, por me apoiarem em minha escolha de seguir uma carreira artística, mesmo sabendo que é algo um pouco louco.”

Apesar das escolhas dos caminhos serem responsabilidade dos filhos, o apoio dos pais são relevantes para que eles tenham sucesso. Seguir uma carreira “mesmo sabendo que é algo um pouco louco” sem o incentivo paterno é como andar na neve de tênis: vai levar muitos tombos, terá muita dificuldade em seguir adiante e sentirá enorme dificuldade em se levantar quando estiver numa fria.

Pode até parecer presunção barata de pai, mas eles precisam de nossa força.

Por isto, elogiar, motivar, torcer, reconhecer, estar junto nas conquistas e nas derrotas é papel de todo pai.

Tive o hábito de oferecer pequenos troféus para meus filhos sempre que eles conquistavam algo importante para o universo deles. Claro que nem sempre eles seguirão na direção de suas pequenas grandes conquistas, senão o troféu que dei pelo ponto decisivo na conquista do torneio de basquete da 5ª série teria levado meu filho a disputar a Rio 2016, mas ele seguiu caminhos distintos, igualmente incentivados.

Mas como nós, pais e mães, vamos saber distinguir o que é loucura do que é um futuro promissor? Bem, podemos contar com a valiosa ajuda de profissionais em Orientação de Carreira, bom senso, experiência de vida e, fundamentalmente, da intuição materna. Acredite e confie nela!

Por detrás de todas as indicações de melhor filme, ator, atriz, música, roteiro, diretor, enfim de todas as categorias concorrentes ao Oscar, haviam pais orgulhosos de seus filhos na plateia do teatro, em suas casas diante da TV ou exercendo a fé em altares erguidos a cada desafio que a paternidade nos impõe. Em cada um deles, mais do que a conquista da estatueta, mais do que a fama, mais do que o dinheiro, o que realmente importava era a simples gratidão dos filhos pelos pais terem acreditado em suas crenças.

Por tudo isso, os pais de Jordan não se importaram tanto com a reversão do resultado final. Para eles, a cerimônia terminou no seu discurso, com a certeza de que o apoio que deram foi determinante para o sucesso de sua carreira. E que subam os créditos! jordan-la-la-land


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Do que são Feitos os Sonhos de uma Criança?

dragon-1712819_960_720Estávamos ambos exaustos quando o coloquei para dormir em sua caminha. Ele abraçou seus “amiguinhos” preferidos, organizou a selva de pelúcias, e já debaixo do cobertor fez o pedido cheio de chamego:

– Pai, conta uma historinha pra mim?

Observei os olhos carentes dele, cabecinha inclinada, suspirei fundo e concordei com um sorriso. No fundo, torcia por esse pedido.

Fui até a estante escolher um livro, mas ele já havia decidido.

– Conta a do “Pintinho Quiquiriqui”?

– De novo filho?!

Questionei sua preferência inquestionável jpgenquanto me perguntava de forma lógica qual a graça que tinha em ouvir uma história que já se conhecia quase de cor.

Deitei-me ao seu lado para que ele pudesse ao mesmo tempo ouvir e ver as gravuras, e iniciei a história.

Seus olhinhos atentos brilhavam com a magia do conto, enquanto sua imaginação descortinava cenários únicos de uma história recorrente.

A variação no tom e a musicalidade nas vozes, efeito decorrente de um curso de oratória que fiz com a finalidade de apresentar palestras, e que caíram como uma luva na narração de livros para crianças, davam autenticidade aos personagens e criavam o clima necessário para transpor para a realidade infantil o cenário quase sempre improvável.

Era como se o ambiente da história tivesse transbordado sobre a cama e os personagens ganhassem vida em uma realidade mágica, ingênua e inebriante, visível somente pelos olhos dos inocentes.

Dessa forma, o quarto se transformava em campos habitados por heróis e vilões, animais com hábitos e costumes ilógicos. Viajávamos a planetas desconhecidos povoados por príncipes ou princesas, e reis que habitavam em castelos cujos muros não respeitavam os limites das paredes do pequeno quarto.

Éramos cúmplices de romances, dramas e malvadezas de toda espécie. Sofremos juntos com os que estavam ao lado do bem quando o mal ameaçava vencer, e compartilhamos as alegrias quando os “moços feios” eram eliminados, muitas vezes com uma crueldade acintosa, ou será que não passaram da conta quando abriram a barriga do lobo mau e encheram de pedras para que ele afundasse no lago?

Todo o Universo permitido pela imaginação cabia no quarto do meu filho em uma singularidade poética.

Vencido aos poucos pelo sono, a voz de seu pai foi ficando cada vez mais distante, como se estivesse partindo em uma carruagem para um reino tão tão distante, e mais uma vez o pequeno não ouviu o conhecido final da história. Em seus sonhos, no entanto, a magia continuava. Nele, personagens se misturavam uns aos outros: seu pai agora era um príncipe e sua mãe, a princesa (sua irmã provavelmente era o dragão).

Em seus sonhos, não haviam mais limites e o enredo inconsciente produzia contos inimagináveis, cheios de fantasia e utopia. Ao acordar pela manhã, tudo já terá sido esquecido.

Na estante, no entanto, a magia aguardava a escolha do conto que alimentará à noite, o mais puro sonho infantil.

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A Arte de Relaxar em um Hotel Fazenda

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Carnaval chegando, crianças e pais estressados, aulas recomeçando e pensamos: – Puxa, seria ótimo se fossemos para um hotel fazenda para dar uma relaxada! Juntei a família e planejamos quatro dias inesquecíveis de paz, tranquilidade e lazer. Bem, pelo menos foi o que planejamos.
Afinal, o que esperar de um hotel fazenda em uma cidade tão calma que as serestas cantadas por violeiros pelas ruas são a atração mais frenética?
Enfim, após dezenas de perguntas se já estávamos chegando, duas paradas de emergência na beira da estrada para atender a demandas inadiáveis do filho e quilos de farelos de biscoito até nos cantos mais inacessíveis do carro, finalmente chegamos às nossas férias relaxantes. Pensei comigo mesmo: Vai valer a pena!
Você sabe bem que uma viagem de carro com criança tem tanta aventura quanto um rally Paris-Dakar. Por isso mesmo, chegar a um lugar com tantas oportunidades de lazer após uma viagem estressante soa como encontrar uma churrascaria rodízio após um jejum de 24h. Tudo que queremos, é sossego!
Logo na recepção fomos recebidos por uma sorridente recepcionista, que nos mostrou em um cavalete a programação do dia seguinte:

Sábado

  • 08:00 – Alvorada FelizFomos acordados (de forma nada feliz) por um animador com um apito e uma corneta, dando sentido militar ao termo “Alvorada”.
  • 09:00 – Saída para a Trilha da FormigaMe iludi achando que o nome se relacionava a algo pequeno e rápido e não aos insetos predominantes no caminho.
  • 10:00 – Voleibol na areiaSimulei de forma descarada uma contusão antes do final do 1º set para pelo menos sair com a honra de pé.
  • 11:00 – Aulão de HidroginásticaUma verdadeira obsessão! A animadora com um maiô de bolinhas forrado de espuma despertou meu inconsciente e automaticamente encolhi a barriga.
  • 12:00 – Almoço com a Bateria do SalgueiroA gostosa comida do forno a lenha sacolejava em meu estômago como uma passista na Sapucaí.
  • 13:00 – Caça ao TesouroResume-se a uma correria louca atrás de algo que poucos sabem dizer exatamente o que é.
  • 14:00 – GincanaMomento em que ficamos sem um sapato, o cinto ou o relógio.
  • 15:00 – Corrida de saco / Ovo na colherSabe aquela foto que você não queria que aparecesse no Facebook?
  • 16:00 – Futebol de veteranosSeria ótimo se alguns “veteranos” já tivesse parado de jogar há mais de 20 anos.
  • 17:00 – Baile de CarnavalHora de vestir a camisa do time de coração e cair na folia.
  • 18:00 – Cavalgada pelo caminho históricoEsqueceram de dar comida para meu cavalo, que acabou empacado no capim da beira da estrada.
  • 19:00 – Jantar com o Circo do PimpãoPimpão não tem culpa, mas eu só queria um jantar romântico à dois…
  • 20:00 – BingoIndefectível,  onipresente e chato. Bem, pelo menos meu filho ganhou um abajur.
  • 21:00 – Passeio até o Portal da Cidade, com SerestaMuito agradável! Mas fiquei deprimido porque sabia cantar a maioria das músicas.
  • 22:00 – Término das atividades de hojeAh! Sério? Agora que eu estava me animando?
Se isso foi no sábado, fiquei imaginando que na quarta só me restariam cinzas.

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Claro que adotei algumas estratégias para, digamos, driblar os animadores, como me esconder atrás das árvores, fingir dormir na rede à beira do lago, simular dor de cabeça ou simplesmente namorar. Eles entendiam e até estimulavam. – Aê Tiozão! Aproveita que nós cuida do filhote!
– Pai! Pai! Pai! Posso ir? O animador tá chamando!!!
– Pooooode filho… Vai láááá… E divirta-se!
– Mas… Você não vem, pai?!
– Vou sim… Depois… Bem depois…
Ele me olhava desapontado, o animador me olhava decepcionado e minha esposa me olhava incrédula.
Aí eu virava pro lado, fechava os olhos e balançava a rede.
Vocês podem me perguntar qual a vantagem de pagar tanto para ficar dormindo? Bem, o sossego não tem preço.
Superada a neura inicial do filho se perder no meio do mato, cair no lago ou ser pisoteado por uma vaca, passamos a curtir a natureza. E eles adoram! Ter espaço para correr, brincar, rolar sem as limitações de um playground, ter contato com animais que só conheciam quando saiam da panela e interagir com muitas crianças sob a coordenação de um animado animador é muito bom! Eles terminam o dia felizes e exaustos, prontos para dormir. O colo é lugar comum e eles nem se lembram como foram parar na cama.

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Para os pais, é um raro momento de tranquilidade para conversar, renovar o relacionamento e fazer planos. Pelo menos enquanto eles estiverem realizando atividades (ou seja, o tempo todo). Olhar nos olhos enquanto olhos treinados olham por nosso filho. Reduzir o ritmo, acalmar o espírito, perceber a respiração.
A natureza tem o mágico poder de recarregar nossas baterias e purificar nossa alma.
Impossível não ficar sereno após um bom cochilo na rede à beira de um lago.
Impossível permanecer estressado ao caminhar solitário por caminhos silenciosos.
Impossível não engordar depois de comer tanta comida saborosa, farta e caseira.
E assim, passado quatro dias, bate saudade antes mesmo de partir. Voltar à correria, à rotina, voltar ao cotidiano. É muito importante levar algo físico desses lugares: uma folha, uma pedra, um graveto…
Quando chegar em casa, deixe à vista, em um lugar de passagem, bem visível à todos.
Quando a vida estiver te levando como um trem que te carrega sem que saiba o porquê, como e nem para onde, pare e olhe para a lembrança que trouxe. Como por encanto, aqueles momentos serenos que passou no hotel fazenda voltarão à sua mente como um filme bom em que sua família atuou seguindo o roteiro original do Criador.
Mas, por favor, só não traga o apito do animador.

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O Inesquecível Primeiro Dia na Escola

boy-160168_960_720Foram meses e meses de pesquisa e peregrinação atrás de uma escola que fosse perfeita para nosso pequeno. Um lugar que reunisse qualidades e características tão variadas quanto o número de fraldas usadas no primeiro mês de vida.
Seria possível existir um lugar que tivesse:
  • Segurança
  • Professores pacientes, capazes e treinados
  • Acompanhamento de psicólogo
  • Projeto pedagógico
  • Alimentação adequada
  • Horário compatível com nossos afazeres profissionais
  • Espaço adequado para as atividades livres
  • Salas de aula bem iluminadas, arejadas e com poucos alunos
  • Bom preço
  • Material didático apropriado
  • Metodologia de ensino que não fosse nem rígida nem liberal demais
As entrevistas com as coordenadoras faziam parecer que cada escola visitada parecesse perfeita, mas felizmente a intuição e percepção materna reduziram o número para duas ou no máximo três.
Mas, enfim, a busca havia chegado ao fim! Encontramos a escola que mais se assemelhava aos nossos ideais, e é claro que tivemos de fazer vista grossa para certos aspectos antes considerados absolutamente relevantes para a escolha final.
De forma consciente, achamos até normal o escândalo que algumas crianças faziam para entrar na escola, se recusando veementemente a passar pelos portões como se representassem a passagem para uma dimensão habitada pelas figuras mais apavorantes do universo infantil.
Ignoramos também os gritos assustadores que vinham de uma sala de aula de artes sob o argumento nada convincente da coordenadora de que estavam ensaiando para uma pecinha de teatro da Bela e a Fera.
Fingimos que nem notamos a súbita e constrangedora entrada na sala da coordenadora de uma criança com os cabelos tomados de tinta verde de mãos dadas com uma professora à beira de um Rivotril.children-808664_960_720A expectativa era crescente à medida que se aproximava o primeiro dia de aula. A compra do material escolar sem faltar um item sequer (incluindo os quatro rolos de papel higiênico?!), e do uniforme com todos os itens possíveis, incluindo o casaco em pleno mês de fevereiro (“é que a sala tem ar-condicionado”).
Chegado o dia tão esperado, a memória da câmera quase se mostrou insuficiente para todos os registros: em casa, com os avós maternos, com os avós paternos, com os pais, com os padrinhos, no carro, na porta da escola… Tudo com o uniforme impecável, o cabelo sem um único fio desalinhado, o tênis alvo como a pele após o banho que removeu os encardidos mais persistentes.
Avisei meu gerente com uma antecedência de 15 dias que neste dia chegaria mais tarde, afinal tratava-se de um evento único, especial e inesquecível!
As crianças chorando à nossa volta, o imenso tumulto e falatório de famílias inteiras, a buzinação na rua devido à fila tripla de carros e o sinal estridente da escola chamando para a entrada não ajudavam em nada a diminuir sua apreensão, demonstrada pelo aperto de sua mão suada e de seu olhar franzido me questionando se a escola era mesmo tããããão legal como há meses tentávamos lhe convencer.children-602967_960_720Na porta da escola, o sinal tocou mais uma vez e o portão finalmente se abriu. Não pude conter a emoção quando o beijei e lhe desejei tudo que um pai pode querer para um filho que inicia uma vida escolar. Os olhos marejados, o choro contido, o nariz vermelho e a preocupação constante de não lhe passar ansiedade, medo ou qualquer outro sentimento que o fizesse temer o novo universo que agora surgia a sua frente.
Mil perguntas passavam pela minha mente: Como ele irá reagir? A tia será compreensiva com os seus mimos? Será que algum amiguinho irá lhe fazer mal? Será que ele irá chorar ou sentir falta dos pais? E se ele se machucar no recreio? E se esquecemos de algum material? E se…?
A angústia e a ansiedade atingiam seu grau máximo enquanto ele atravessava o portão da escola. Beijinhos e acenares simultâneos aos flashes de minha câmera se prolongaram até ele desaparecer de nossa vista, deixando-nos com um sentimento confuso de alívio e culpa.school-1665535_960_720

Mas o pirralho podia ao menos ter olhado pra trás!!!


 

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O que Deixará para o seu Filho e que não Poderá ser Vendido?

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Antes dos 50 anos não é comum um pai se preocupar com seu legado. Adquirimos bens ao longo de nossa vida que acabarão entrando no inventário. Mas o que não entrará, não poderá ser vendido e ainda assim será precioso para o seu filho?Que herança de sua vida quer deixar para eles? Como seus filhos vão se lembrar de você? Que recordações ficarão para sempre na memória deles? O que você está cultivando hoje e que só será colhido após a última estação?
 Ao longo da vida de seu filho você lhe dará muitos e muitos bens impermanentes, como brinquedos, eletrônicos e roupas. Também investirá na sua educação através de livros, escolas, cursos, viagens e cultura, cujo rendimento será obtido no momento oportuno.
Ao mesmo tempo, e desde os primeiros dias de vida, lhe ensinará um monte de coisas básicas, como andar, brincar, comer, falar, vestir-se e também lhe passará valores essenciais, como regras de comportamento, respeito, valores morais, educacionais e religiosos. Tudo isso combinado ao ambiente em que viverá, suas influências, experiências e o livre-arbítrio formarão o seu caráter e definirão as escolhas que nortearão a vida e o futuro do seu filho.
 Seria ótimo para nosso ego, mas nossos filhos não serão cópias de nossos ideais de vida. Serão bem melhores! Eles são extremamente críticos, e tem plena consciência do que eles não querem de jeito nenhum incorporar de seus ascendentes. Por outro lado (e só depois da adolescência), eles vão transparecer fortes sinais dos valores que você, como pai, externalizou. Não são valores que você explicitamente ensinou, mas aqueles que de fato praticou e foram silenciosamente testemunhados e absorvidos pela consciência deles.
Você é referência para eles. Se você se omitir nesse papel, eles buscarão referências em “outro pai”. A omissão custa caro.
 Quando a saudade amadurecer, e a lembrança do pai vier como brisa fresca em dia quente, seu filho, homem feito, quem sabe um pai como você, perceberá que seus ensinamentos estarão de tal forma impregnados e perpetuados nos seus genes que ele sem perceber, mas com muito orgulho, passará a contar às pessoas suas histórias, suas qualidades, suas conquistas, suas manias e esquisitices mas, sobretudo, seus valores mais valiosos.
 Seu legado será o reflexo de sua paternidade, e seu caráter será espelhado por eles.
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Como Pulsa o Coração de um Pai de Bailarina?

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No breu do teatro as primeiras notas de Rachmaninoff evocam memórias há muito esquecidas. E no foco da suave luz amarelada, bailarinas deslizam no palco em compassos coreografados de sutil beleza e emoção.

Vestem o mesmo figurino, usam o mesmo penteado e compartilham as mesmas idades de descobertas.

Ainda assim, da fila J, o pai da bailarina precisa de apenas uma fração de segundo para percebê-la, distinta do grupo, como se representasse um solo corajoso.

Sabia ser a quinta a se apresentar, mas ainda assim parecia surpreendido, o que de fato era verdade. Como essa menina cresceu rápido! Quanta paternidade já passou! Parece que foi ontem que a embalava em seus braços e agora, lá estava ela, a exercer lindos movimentos ondulatórios sobre os pés envoltos em sapatilhas de ponta, em maravilhosa harmonia.

E então ele se dá conta de registrar os momentos mágicos, pelo medo sem razão de esquecê-los. Filmar? Fotografar? Enquadrar as emoções. Sensibilizar a alma para mais tarde revelar as recordações em cores e nuances de lembranças da infância que baila.

As lentes da alma, embaçadas, buscam o foco na bailarina enquanto o piano da Rapsódia sobe à terceira oitava e a apresentação culmina em um momento único e decisivo. O silêncio súbito, o movimento suspenso e a luz forte que o faz despertar de um sonho bom.

Da platéia, o pai da bailarina, orgulhoso, aplaude de pé sua criação e sorri com emoção, enquanto ela, realizada, conclui imóvel o balé que pulsa em suas veias, e aquece o coração de seu pai.

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Veja aqui o vídeo da música de Rachamaninoff: “Rapsódia sobre um Tema de Paganini”

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Priorizando os Filhos (a Teoria do Pão de Forma)

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Desde o primeiro momento em que constatamos nossa paternidade entendemos que as prioridades são imediatamente transferidas para nossos filhos. E isso vale desde o nosso sono até a decisão de quem vai ficar com a casca do pão de forma. Você já passou por isso?

Você já precisou decidir entre assistir:

  • Campeonato Brasileiro ou Barney e seus Amigos?
  • Filme de ação com gritos, barulhos e violência ou uma animação leve da Disney?
  • Sport TV ou Cartoon Network?
  • Discovery Channel ou Discovery Kids?

Você já teve de escolher entre dividir o edredom com a esposa ou compartilhar a cama de casal com um baixinho que acredita firmemente que há um “monstro” embaixo da caminha dele?

Você já observou casais com filhos pequenos em restaurantes? A menos que a criança esteja dormindo, nunca pai e mãe comem juntos. Um deles sempre está dando o colo, passeando ou brincando com o filho, enquanto o outro come. E então o casal troca. Ceder passa a ser uma coisa natural. E tudo bem!

Você, que já torrou no sol quando mais jovem e hoje não suporta mais o sol de meio dia na praia, fica empastelado de protetor, encolhido debaixo da barraca mas aceita ficar “só mais um pouquinho” porque, afinal de contas, “eles estão se divertindo tanto…”. Isso depois de abrir mão de sua caminhada na floresta em prol de uma praia disputadíssima: “Mas pai, você vai pro meio do mato num dia desses???!!!”. Difícil contra-argumentar…

Então você já sabe que junto com o filho vem o sentimento de culpa e uma vozinha na consciência que está constantemente nos cobrando mais participação, mais tempo juntos, mais partilha de nosso tempo em favor deles.

Temos que admitir que, no início ainda resistimos, mas ao perceber o quanto a mãe renuncia de forma incondicional, incontestável e absoluta a coisas que costumavam ser essenciais antes do nascimento, só nos resta ser solidário e procurar saber o resultado do futebol somente mais tarde, pela internet. held-by-his-father-this-infant-was-receiving-an-intramuscular-immunization-in-his-right-thigh-muscle-725x520

E isso é especialmente evidente quando eles ficam doentes. O foco passa a ser exclusivo para eles e somente a saúde deles nos interessa, nem que para isso tenhamos de ficar acordados até que a febre baixe, passemos horas aguardando o atendimento em hospitais em plena madrugada e larguemos tudo para leva-lo ao médico, fazer exames e tratar de sua saúde.

A verdade é que não há trabalho, não há estudo, não há nada no mundo que seja mais importante que cuidar deles.

O mais incrível é que assimilamos de tal forma esta priorização de interesses que, mesmo após eles terem crescido, se tornando adolescentes e jovens independentes, continuamos a colocar na balança as decisões banais do dia a dia.

Claro que passamos a disputar com mais determinação programas de TV, estações de rádio e o sabor de pizza, mas continuamos a abrir mão de horas de sono para pegar o filhote de madrugada em uma festa, deixamos de descansar à noite depois do trabalho para tirarmos suas dúvidas na escola e, ironicamente, acordamos antes da hora, para que eles não percam a hora.

Finalmente, é no alimento que esta renúncia se torna mais singular: se há dúvida se a porção que resta dá para dividir, inventamos uma desculpa, dizemos que estamos sem fome ou de regime e a divisão sempre acaba sendo feita conscientemente de forma injusta para nós, pais.

A última fatia de pizza, o último pedaço de queijo, o último iogurte, o final do suco, a última fatia de presunto. Para todas essas situações, o mesmo discurso: “Pode comer filho! Papai não quer não.”

Daí a “Teoria do Pão de Forma”: Passamos a elogiar a casca: “até que é não é tão seca”, “se passar bastante manteiga fica bom”, “é mais saudável”. Tudo mentira! Mas não queremos que eles saibam que abrimos mão por eles. Iam ficar muito presunçosos e acabar achando que o mundo vai agir da mesma forma com eles, sempre. Não vai! Educamos para que disputem e conquistem a sua parte. Com ética, honestidade e caráter, mas que conquistem o essencial do pão de forma de suas relevantes vidas!

Priorizar os filhos é, portanto, a forma mais prática de demonstrar o amor que sentimos por eles.

 

P.S.: Eu soube por um pai, amigo meu, que se juntar as duas cascas com requeijão fica uma delícia!

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Como um Pai se Prepara para ser Avô?

family-1827369_960_720Resolvi que já estava na hora de retomar a academia, abandonada após longos anos. Durante a entrevista com a professora veio a pergunta óbvia:

– Qual o seu objetivo em entrar para uma academia de ginástica?

– Conhecer os meus netos! – Respondi.

Mas isso foi há muitos anos. Hoje quero não só conhecê-los, mas brincar com eles. E para isso precisarei de muita saúde!

Por conta disso nós, pais, nos poupamos de certos riscos e adotamos o salmão, o tomate e o vinho tinto como símbolos de uma terceira idade saudável.

Não pretendo ser um idoso que nem consegue pegar um neto no colo. Quero ter joelhos fortes para estar à altura de suas brincadeiras e ombros resistentes para suportar o pequeno em sua antevisão superior do mundo.grandpa-1734273_960_720Quero poder andar de bicicleta ao seu lado e rolar pela grama molhada em cumplicidade moleque.

Quero ter bons ouvidos para ouvi-lo me chamar de vovô, como desejei um dia que me chamassem de papai.

Quero, enfim, enxergar com clareza meu neto crescer e se parecer comigo, como a constatar a perpetuação de meus cansados genes.

Quero, acima de tudo, passear com o neto, ao lado de uma vovó “enxuta”, em comunhão do sentimento de dever realizado.

Para isso preciso me cuidar, malhar e abandonar os exageros da juventude. É um preço justo.

Ter a alegria de recriar, com a experiência e a sabedoria de já ter realizado, e sem as neuras comuns da paternidade.

É claro que os avós mimam os netos! E o fazem não porque querem “estragá-los”, mas porque desejam reviver as alegrias da criação sem a responsabilidade da educação.

Com os netos, o ciclo se fecha, e o homem encontra sua razão paterna.


Sozinho na varanda, vivia o momento do vácuo da paternidade, quando a referência do pai passa a ser uma lembrança e a vivência como pai ainda é esperança. Vasculhava o céu em busca de sinais que acalentassem a dor dentre as milhões de estrelas, mas só recebia em troca o silêncio da noite morna.

E de todos os seus ensinamentos, um deles muito simples me veio à memória, de nossas muitas conversas sobre o espaço.

– Quando olhar para o céu e o astro piscar é porque é uma estrela, senão, é um planeta.

De repente, vi surgir muito longe um avião em rota inesperada, e resolvi acompanhá-lo rasgando o espaço. Ao ocultar um planeta, este momentaneamente, piscou. Era o sinal que procurava para entender que o pai que eu perdera estava vivo em minhas memórias, em minhas experiências e em minha vida. E tudo que ele me ensinou será devolvido para o filho crescente, que ainda amadurece no ventre da mãe. E este terá muito orgulho do Vô, que não conhecerá, mas que aprenderá a admirar apenas com a lembrança, o orgulho e a saudade viva no coração de seu futuro pai.

No céu, as estrelas piscam eternas, como sentimentos hereditários.

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