Como um Pai se Prepara para ser Avô?

family-1827369_960_720Resolvi que já estava na hora de retomar a academia, abandonada após longos anos. Durante a entrevista com a professora veio a pergunta óbvia:

– Qual o seu objetivo em entrar para uma academia de ginástica?

– Conhecer os meus netos! – Respondi.

Mas isso foi há muitos anos. Hoje quero não só conhecê-los, mas brincar com eles. E para isso precisarei de muita saúde!

Por conta disso nós, pais, nos poupamos de certos riscos e adotamos o salmão, o tomate e o vinho tinto como símbolos de uma terceira idade saudável.

Não pretendo ser um idoso que nem consegue pegar um neto no colo. Quero ter joelhos fortes para estar à altura de suas brincadeiras e ombros resistentes para suportar o pequeno em sua antevisão superior do mundo.grandpa-1734273_960_720Quero poder andar de bicicleta ao seu lado e rolar pela grama molhada em cumplicidade moleque.

Quero ter bons ouvidos para ouvi-lo me chamar de vovô, como desejei um dia que me chamassem de papai.

Quero, enfim, enxergar com clareza meu neto crescer e se parecer comigo, como a constatar a perpetuação de meus cansados genes.

Quero, acima de tudo, passear com o neto, ao lado de uma vovó “enxuta”, em comunhão do sentimento de dever realizado.

Para isso preciso me cuidar, malhar e abandonar os exageros da juventude. É um preço justo.

Ter a alegria de recriar, com a experiência e a sabedoria de já ter realizado, e sem as neuras comuns da paternidade.

É claro que os avós mimam os netos! E o fazem não porque querem “estragá-los”, mas porque desejam reviver as alegrias da criação sem a responsabilidade da educação.

Com os netos, o ciclo se fecha, e o homem encontra sua razão paterna.


Sozinho na varanda, vivia o momento do vácuo da paternidade, quando a referência do pai passa a ser uma lembrança e a vivência como pai ainda é esperança. Vasculhava o céu em busca de sinais que acalentassem a dor dentre as milhões de estrelas, mas só recebia em troca o silêncio da noite morna.

E de todos os seus ensinamentos, um deles muito simples me veio à memória, de nossas muitas conversas sobre o espaço.

– Quando olhar para o céu e o astro piscar é porque é uma estrela, senão, é um planeta.

De repente, vi surgir muito longe um avião em rota inesperada, e resolvi acompanhá-lo rasgando o espaço. Ao ocultar um planeta, este momentaneamente, piscou. Era o sinal que procurava para entender que o pai que eu perdera estava vivo em minhas memórias, em minhas experiências e em minha vida. E tudo que ele me ensinou será devolvido para o filho crescente, que ainda amadurece no ventre da mãe. E este terá muito orgulho do Vô, que não conhecerá, mas que aprenderá a admirar apenas com a lembrança, o orgulho e a saudade viva no coração de seu futuro pai.

No céu, as estrelas piscam eternas, como sentimentos hereditários.

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Porquê Deixamos de Ver Elefantes nas Nuvens?

clouds-801887_960_720– Pai, olha lá um elefante no céu!

Sem abrir os olhos, ciente do absurdo que minha filha descrevia, ignorei o chamado e continuei relaxado na cadeira da piscina. Mas ela insistiu:

– Olha lá: a tromba, o rabo, os olhinhos, a barriga…

Diante da insistência, arrisquei abrir um olho, teimando contra o sol que ofuscava, e a vi com o dedinho em riste para o céu, apontando para uma nuvem que ameaçava acabar com o meu domingo.

– Onde, filha?! Perguntei envergonhado por não enxergar nada além de uma cumulus-nimbus, indicação de chuva à tarde.

– Você não ta vendo, pai? Perguntou ela com uma ponta de impaciência e indignação.

– Éééé… tôôô. Mas ela percebeu minha mentira, botou as mãos na cintura e apontou novamente para o céu, já um tanto braba comigo.

– Você demorou tanto para olhar que agora o elefante virou um dinossauro!!!

– Virou mesmo?!

– É! Olha lá! Olha o fogo saindo de sua boca!

Com as mãos protegendo os olhos do sol fiquei olhando por longos minutos para o céu ao lado de minha filha tentando lembrar em que momento de minha vida havia perdido a capacidade de fantasiar, de enxergar o que não é real, de imaginar e expressar a inocência.

Que acontecimentos foram lentamente deixando para trás o ilógico e o lúdico, tornando-me um ser racional?

Assim como as nuvens, todos nós nos transformamos com o tempo, moldados pelos ventos, ora em uma direção, ora em outra, ora ascendente, ora descendente. Por vezes, apenas uma brisa, que lentamente muda nosso ser, dando-nos tempo para a percepção do sentido a ser tomado, mas muitas outras, são fortes ventos que nos arrastam a novos caminhos, sem escolha, vontade e reação.

Passamos ao longo da vida por algumas tempestades, que acabaram por dissolver as nuvens de nossa existência em lágrimas de chuva. Mas o Sol sempre volta. Sempre volta.

sky-802072_960_720Assim, após muitos anos, de ciclos ininterruptos de Sol, vento e chuva, nosso caráter se molda e com ele nossa capacidade e forma de reagir a novos estímulos.

Não podemos controlar o tempo. A previsão é uma ciência inexata. A meteorologia da vida é imprevisível e não nos dá o direito de lamentar a chuva quando tudo o que queríamos era o Sol. A maturidade do tempo nos ensina a aceitar as mudanças, inevitáveis. Não há por que lamentar a trovoada que anuncia a chuva forte, da mesma forma que devemos agradecer, sempre, quando há Sol.

Os ventos trazem os desígnios, e não nos cabe nos desviar porque não sabemos de onde, nem porque eles começaram a se formar, tampouco aonde eles irão nos levar.

Olhando para minha filha, olhinhos apertados para o céu, entendi onde o tempo me mudou, e focando novamente o céu pude distinguir nas formas de uma nuvem passante, a tradução da origem dos ventos:

– Olha lá filha, um anjinho lá no céu! As asas, a auréola… Mas quando a olhei novamente, ela já havia pulado na água e se esbaldava, espalhando água e infância para todos os lados. Silenciosamente, a agradeci pelos respingos da criança que fui.

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Se você não conseguiu ver um elefante na primeira foto, veja abaixo a legenda:

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A Magia da Inocência que Brota da Fantasia do Natal

img_20161217_150713250Um mundo encantado havia sido construído no centro do Shopping e dele brotava uma magia inconfundível que me fez parar para observar. Pousei cuidadosamente as compras no chão e passei a captar o que se passava naquela decoração de Natal repleta de crianças iluminadas.

Era de fato um mundo à parte. Alheio ao grande tumulto a sua volta, com pessoas estressadas esbarrando suas sacolas e seus ombros em uma fúria consumista e alienada à fantasia do Natal.

Crianças surgiam e desapareciam nas janelas com seus olhinhos brilhantes se misturando às milhares de lâmpadas coloridas, enquanto os pais regressavam a um tempo esquecido.

No meio de tudo, sobre um trono, estava ele: o símbolo máximo da inocência. Enquanto umas crianças faziam fila para eternizar o momento, outras olhavam desconfiadas e mantinham uma distância segura da figura enigmática, capaz de realizar desejos para atender a todos os pedidos durante o sono e inexplicavelmente ainda tinha uma enorme paciência e coragem de expor uma inocência que luta para não desaparecer.

Lamentei por um instante não ter uma boa desculpa para segurar as mãos adolescentes e me envolver na fantasia. Que pena que minha infância não pode esperar a sofisticação do encantamento…

Na televisão a repórter experiente, percebendo a emoção transbordante da avó diante do esplendor de uma decoração natalina faz a pergunta óbvia:

– O que essa decoração lhe faz lembrar?

A senhora, pensou por um instante, uma mão estendida para a magia e a outra pousada no coração, com o olhar distante, respondeu:

– Aaah minha filha… Lembra o meu tempo, a minha mocidade, a minha infância…

E retornou a mirar as luzes embaçadas com as saudades distantes.

A magia da inocência vive silenciosamente em cada um de nós à espera de emoções que nos despertem do sono no exato momento em que os presentes são deitados aos pés da árvore de toda nossa vida. Dentro deles não há mais brinquedos, mas guardam o mais puro amor infantil, capaz de espalhar a pureza no ar que respiramos e que suportará a nossa vida quando o Natal já tiver terminado.

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Como me Tornei Ator Involuntário de Peças Infantis?

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Imagino que as peças teatrais infantis devam ter a assessoria de um psicólogo, pedagogo, ou mesmo alguém que conheça o fascinante universo infantil de fantasias e mistérios para traduzir para os pequeninos a magia de contos de fadas inesquecíveis.

Imagino também que os autores, cenógrafos e músicos de tais peças devam imaginar que a maioria dos pais que assistem às apresentações com os filhos, não tiveram a chance de assistir esta tradução dos valores lúdicos em mundo de cores e sons em sua tenra idade.

Imagino, portanto, que deve ser por isso que é quase inevitável que tenhamos que pagar micos de participação (totalmente) involuntária, seja atuando como uma árvore frondosa, seja imitando um galo despertando, seja se arrastando como cobra pelo palco, enquanto os olhinhos faiscantes da criançada, fascinados, vêem os seus pais transpor o mundo real, do adulto, para um mundo de faz-de-conta, para em seguida voltar corados como se tivessem sido maquiados para fazer o papel de tomate sorridente, num misto de orgulho (deles) e constrangimento (nosso).

Assisti a diversas peças infantis e sempre tomei o cuidado para sentar atrás de alguém bem acima do peso ou muito alto, e sempre longe das laterais. Mas eles quase sempre me achavam…

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Com o tempo adotei algumas estratégias para não participar do maravilhoso mundo das artes cênicas, como colocar a caçula no colo, jamais ir a teatro vazio e demonstrar impaciência, tédio e aborrecimento. Sorrir e bater palmas, nem pensar! Isto significava assinar um atestado símio que dispensava apresentações e convencimentos, pois lá do palco já descia saltitante um dos três porquinhos me puxando pela mão para se esconder com ele do lobo mau.

Muitas vezes o comum temor dos filhos pelos personagens era maior do que o meu, o que os fazia esconder o rosto de pavor. Eu os entendia. Eu os entendia…

O maior mico que já paguei foi em uma peça infantil sobre Graham Bell, na qual, é óbvio, após ter que engatinhar por entre tubos e atravessar portinholas onde o risco de ficar entalado era enorme, tive que subir ao palco e imitar um telefone tocando, em uma posição, digamos, um tanto quanto suspeita, enquanto observava na platéia os pais sobreviventes sorrirem nervosos, mas aliviados, porque não tinham sido escolhidos. Não daquela vez.

É claro que adquiri uma certa paranoia com relação à teatro e tremo até quando os atores caracterizados com os personagens me entregam na rua filipetas com descontos para a peça. Faço cara de antipático, pego os convites e os pulverizo antes que meus filhotes possam perceber que a Bela Adormecida usava piercing na língua.

Pode até parecer cruel e egoísta à primeira vista. Mas é só trauma.

Sei que isso deve ter terapia e eu vou superar, contanto que a psicóloga não dê consultoria à direção de peças infantis.

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A Perda de uma Paternidade Improvável (Michael e Eu)

029Por um bom tempo resisti à ideia de dar um bicho de estimação para as crianças. Mas o pretexto do aniversário da pequena, minha paixão por pássaros desde a infância e a possibilidade de ter um animal doméstico com a capacidade de interagir conosco, e sem a necessidade de ter que levá-lo para passear mesmo nas manhãs frias e chuvosas, me animaram.

Uma calopsita não é um animal qualquer. Sua carência deliciosa cativa até uma pedra. E escolhemos o mais carente de toda a loja. Carente e com uma característica muito peculiar: sua mania em andar para trás. Foi inevitável a comparação com Moonwalk, daí o seu nome de batismo: Michael Jackson, Maiquel, nosso Maiquinho.

Maiquinho era de fato um bichinho adorável. Capaz de viver livre fora da gaiola, interagia e participava da vida familiar como se as grades de sua gaiola fossem as paredes da minha casa.

A doença grave detectada no seu primeiro exame com a veterinária que eu, em um tremendo ato falho, insistia em chamar de pediatra, acentuou ainda mais o paternalismo improvável entre nós. A comparação era inevitável: dar colo, remédio na boca, ninar para dormir e para parar de chorar e até limpar suas “fraldas”. Tudo isso já havia ficado para trás há um bom tempo. Que saudades…

Recebi da veterinária a notícia de sua cura com uma alegria e um alívio imensos, como se um filho tivesse se curado de uma longa febre, e cada vez mais fui cativando e sendo cativado por aquele ser amarelinho, peludo e carente.

Com o tempo, ele aprendeu a piar seu próprio nome, e é claro que utilizava este talento para nos chamar sempre que precisava de algo: frio, calor, fome, vento ou simplesmente colo. Uma deliciosa chantagem emocional.

Sem me dar conta, estava criando novamente um “bebê”, e isso me dava muita alegria.

Maiquinho também fazia suas malcriações. Uma calopsita rói tudo que vê pela frente: móveis, livros, fios, praticamente tudo. E tínhamos que tomar conta para que não colocasse nenhuma besteira na boca. Alguma semelhança?

Adorava banho, ouvir música, dormir deitado no meu peito, assistir TV no meu ombro, aconchegar-se sobre a cabeça, cantar… Como cantava bonito nosso Maiquinho!

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Um dia ele acordou diferente: calado, deprimido, sem apetite. Parecia ter regredido à sua infância. Aos poucos recuperou a energia, a disposição e finalmente o canto, mas não repetia mais o próprio nome com aquele jeito tão gostoso.

E então aconteceu de repente: esperou todos saírem e em menos de dez minutos seu canto se silenciou para sempre. Minha esposa já o encontrou inerte, no chão da gaiola, sem vida, e desesperou-se! Ao chegar em casa e encontrá-la em prantos, rapidamente entendi o que havia acontecido. A gaiola coberta pelo paninho, que o aquecera nas noites frias, e um enorme silêncio gritavam a sua ausência. Vê-lo morto arrancou de mim uma tristeza imensa, enquanto a ternura parecia evaporar-se, abraçada à sua pequena alma pura.

No pequeno quarto, de joelhos, agasalhei inutilmente o corpinho de Maiquinho, pois o inverno continuaria frio mesmo com a chegada da primavera. Junto ao seu corpo, encostei os brinquedinhos que o acalentavam ao dormir e o embalei com a minha tristeza molhada.

Atrás de mim, em pé, as crianças em silêncio tentavam assimilar e aceitar a perda inesperada de seu amiguinho, enquanto uma dor pungente envolvia o ar que respirávamos.

Na solidão noturna do jardim, revolvi as plantas e o guardei carinhosamente sob a vigilância de uma margarida, sentinela da natureza.

Nunca imaginei que um ser não humano pudesse ocupar um espaço tão grande em meu humano coração…

No dia seguinte, pela manhã cedinho, um surpreendente filhote de bem-te-vi entrou em nossa varanda, e lá ficou por longo tempo cantando, como que espantando o silêncio incomum, como se tivesse sido enviado por um pequeno anjo acostumado com as suas asas, como que nos agradecendo por ter ajudado a prolongar sua breve vida. E assim, e por muitos dias seguidos, ele nos presenteou com sua visita.

De Michael ficou seu retrato na estante, a gratidão por ter alegrado nosso lar e uma saudade imensa do filho adotado e de profunda estimação.

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Einstein e a Relatividade da Física Paterna

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A partir do nascimento, o ritmo de sua vida como novo pai passa a ser ditado pelo ritmo do seu filho. O tempo ganha nova dimensão e você não tem mais controle sobre ele. Se você resistir a essa verdade, só ficará irritado, frustrado e nada vai mudar, porque é assim que é, e assim será. Então, tire proveito disso!

Você passará a acordar na hora em que ele acordar chorando.

Você só conseguirá dormir depois que ele dormir.

Você não conseguirá mais fazer suas refeições na hora em que sentir fome (pelo menos não junto da mãe).

E você aceitará essas e outras mudanças simplesmente porque estará imbuído de um senso de proteção a uma criatura frágil e apaixonante que faz com que as prioridades de sua vida sejam automaticamente reclassificadas em prol do filho.

Em compensação, você não precisará mais se desculpar por faltar ao futebol das quintas, chegar ao trabalho atrasado com a camisa manchada de leite e abandonar (provisoriamente para sempre) o chopinho tradicional das sextas à noite com os amigos.

Uma criança nos obriga a desacelerar e a viver cada momento sem se preocupar com compromissos e horários. Pais dificilmente chegam nos horários combinados em festas, jantares, cinemas e encontros. E tudo bem! Todos entendem e aceitam a nova
condição (principalmente quem já tem filhos). Você nem se desculpa mais por isso.

Não é raro encontrar pais de terno e gravata empurrando candidamente um carrinho de bebês (gêmeos), enquanto seu celular vibra e apita alucinadamente compromissos inadiáveis.

Não é raro encontrar pais ninando docemente seu bebê enquanto a TV o chama para aquele jogo de futebol esperado há meses.

Não é raro encontrar pais andando na rua com as mesmas passadas lentas e cadenciadas do filho que acaba de abandonar o engatinhado como se estivesse em câmera-lenta em relação ao mundo ao seu redor.

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Um bebê tem o seu tempo. E ele passa bem mais devagar que o nosso. Já experimentou estar com pressa na hora de dar a mamadeira, colocar para dormir, dar papinha ou colocar para arrotar?

Já tentou colocar no bebê uma roupinha, tipo aqueles macaquinhos de frio, em que tem que colocar os bracinhos e as perninhas e depois abotoar enquanto ele permanece O TEMPO TODO mexendo freneticamente os braços e as pernas? Já tentou fazer isso com pressa? Então você já sabe que ficar nervoso só vai complicar a situação.

Uma criança pequena é uma parabólica de sentimentos. Ela capta de forma sensível tudo que acontece ao seu redor e percebe se os pais estão nervosos. Assim, nem tente ninar seu bebê se estiver nervoso, pois para acalmar é preciso estar calmo. Leia mais em “O Colo Essencial”.

Tive o hábito de colocar Mozart para ninar meu filho, mas sempre dormi antes dele… Conheço vários pais que para fazer o filho dormir o colocam na cadeirinha e dão uma volta com o carro. Afirmam ser um método infalível, desde, é claro, que você dirija como se estivesse fazendo a avaliação para tirar a carteira de motorista pela quarta vez.

Um paradoxo interessante é que crianças demandam uma grande urgência para serem atendidas. Você tem de correr e fazer tudo muito rápido para que ela fique satisfeita e pare de chorar. Mas, uma vez calma, você tem automaticamente que desacelerar e dar a comidinha beeeeeeeeem devagar… Esperar pa-ci-en-te-men-te ele engolir…  Pa-ci-en-te-men-te ele aceitar uma nova colherada… E  pa-ci-en-te-men-te raspar o prato… Para logo em seguida ele querer sair da cadeirinha enquanto você está preparando a frutinha lavando o prato com o telefone tocando e a mãe perguntando se está tudo bem. Ufa!

Essa alternância de ritmos é de uma bipolaridade extrema. Quando o ritmo é frenético, você quer calma. Quanto está extremamente calmo, você tem pressa. A busca pelo equilíbrio requer a serenidade de um monge zen-budista.

Por isso, o revezamento entre os pais é fundamental, dividindo as responsabilidades, sempre que for possível.

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Um dá de mamar. O outro põe para arrotar.

Um dá o banho. O outro veste.

Um prepara a comidinha. O outro dá a comidinha.

Um dorme. O outro… Também dorme.

Para isso, é essencial que a mãe permita e incentive que o pai ajude e participe, ainda que ele não demonstre 10% das habilidades maternas. É questão de sobrevivência. É preferível ter pai e mãe exaustos ao final do dia do que a mãe estar totalmente acabada enquanto o pai ainda tem disposição para assistir três episódios seguidos de Game of Thrones no Netflix. Todo pai, ainda que desajeitado, quer ajudar. E a mãe precisa muito dessa parceria.

Einstein, em sua Teoria da Relatividade Restrita, provou matematicamente que o tempo passa mais lentamente para um gêmeo que está em um foguete se aproximando da velocidade da luz, em relação a um outro gêmeo, que permaneceu no ponto de lançamento (Detalhes em: Paradoxo dos Gêmeos).

Minha teoria, já comprovada por milhões de pais ao redor do mundo, é que o tempo passa muito mais devagar quando estamos na companhia dos filhos pequenos. É um fenômeno da Física Paternal.

Paciência, suavidade, serenidade, calma, ternura, tolerância, equilíbrio, bom-humor… Poderia estar me referindo aos atributos de um Dalai Lama, mas são todas qualidades necessárias para praticar paternidade. Progressivamente vamos aprendendo a viver no ritmo deles, administrando o stress e curtir um período que é difícil, mas que infelizmente dura pouco.

Meu conselho, prezado pai, é que você preserve estes atributos “dalailamos” para quando chegar a adolescência dos seus bebês. Você vai precisar!

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– Pai! Pai! Pai! Olha!!!

Ao ter certeza que minha atenção estava concentrada sobre ela, deu uma cambalhota para trás, mergulhou, deu a volta sobre o próprio corpo e voltou à superfície da piscina, ofegante e com um sorriso molhado.

– Viu só? Sem ninguém me segurando!

Existe uma época em que os pequenos aprendem com uma velocidade espantosa coisas que julgamos banais, mas que são grandes conquistas no universo infantil. E sentem um grande orgulho por isso e, é claro, exigem que participemos integralmente de cada descoberta.

Por isso a aflição, a ansiedade e a aparente angústia que sentem ao nos solicitar, como se o mundo fosse se acabar no instante seguinte sem que pudéssemos ser testemunhas de sua evolução.

E usam métodos bastante convincentes para isso. Pulam, gritam, choram, puxam a roupa, o cabelo, as pernas, esperneiam e chamam a palavra Pai como um mantra que se repete incessantemente ou até que interrompamos o que quer que estejamos fazendo para simplesmente, olhar.

E é bom olharmos.

– Pai! Pai! Pai! Olha! Sem as mãos!

– Pai! Pai! Pai! Olha! De cabeça para baixo!

– Pai! Pai! Pai! Olha quanto tempo fico sem respirar debaixo da água!

– Pai! Pai! Pai! Olha como eu corro para trás, descalço numa tábua cheia de pregos e cacos de vidro!

Convém olhar…

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Na ânsia de aprender (e fazer disso um fato relevante) eles correm pequenos riscos e precisamos ficar atentos para não destruir a pequena autoestima enquanto os protegemos.

Apoiar, elogiar, reconhecer, parabenizar e ao mesmo tempo apontar limites. Não é nada simples. Não passar apreensão ou medo e ao mesmo tempo incentivar. Fronteiras sutis.

Em cada experiência uma lição. O que podem e o que não podem, o que é perigoso, o que está no limite entre a emoção juvenil e a irresponsabilidade adulta.

Tentar, conquistar, fracassar, vencer, errar, se superar! Amadurecer.

Buscam aprovação, repreensão, educação.

Galos na cabeça. Muitos deles. No queixo, joelhos, cotovelos, testa, mãos: cicatrizes que carregamos desta fase, muitas são quase imperceptíveis quando crescemos, mas são visíveis sinais das descobertas dos limites.

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Mas essas crianças crescem, e os limites se tornam mais complexos, assustadores e angustiantes para um coração paterno.

E eles tem a noção exata do que isso representa para nós. Por isso, existem coisas que eles nunca vão te chamar para olhar. E é até melhor que seja assim.

– Pai! Pai! Pai! Olha! Eu voando de asa-delta!

– Pai! Pai! Pai! Olha! Eu escalando o Morro da Urca!

– Pai! Pai! Pai! Olha! Eu fazendo rafting em uma corredeira em Lumiar!

E você, pai, só vai ficar sabendo bem depois. Depois dos amigos, depois da mãe, quando menos esperar. E pelas Redes Sociais.

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Em diversas aldeias espalhadas pelo Brasil, jovens índios, chamados curumins, participam todo ano de exóticos rituais de iniciação chamados, na língua nativa, de Kon-Kursos. Você já esteve envolvido em algum ritual como esse? Ainda não? Pois saiba que eles são inevitáveis.

Os Kon-Kursos começam cedo, aos 5 anos, quando os indiozinhos tentam passar para uma renomada oca educacional federal. Os que não forem selecionados, podem tentar novamente aos 10 e finalmente aos 13. Se não forem aprovados nos Kon-Kursos, seus pais poderão optar por pagar sua educação, com boa parte da colheita, a um dos muitos caciques da tribo, ou então ir para uma cabana sustentada pelo pajé, que faz até chover para que os curumins não fiquem sem aula, merenda, livro ou professor.

Por ser um ritual muito disputado, esses jovens índios se preparam com afinco por um longo período. Aprendem desde cedo a subir em árvores, carregar troncos, nadar em rios infestados de piranhas e caçar. Não serão cobrados por estes conhecimentos, mas será muito útil para manter o espírito guerreiro nos momentos decisivos do Kon-Kurso.

Os períodos de diversão e brincadeira ficam bem restritos. Passam dias e meses se preparando. Alguns dia e noite. Alguns a noite toda. Alguns por vários anos. Grandes sacrifícios são exigidos quando a maturidade ainda é uma gota na nascente do rio que mata a sede do indiozinho.

E então, após um longo e exaustivo treinamento, é chegada a hora do Ritual Kon-Kurso de iniciação para jovens!

Em todas as cabanas onde vive um curumim há um clima de tensão e apreensão no ar. Os pais se esforçam para não passar nervosismo para os indiozinhos, mas o contágio é inevitável. O engarrafamento de canoas nos rios, o treinamento intensivo nos finais de semana e o falatório sem parar dos índios responsáveis pela notícias na tribo também não ajuda muito a passar tranquilidade para eles.

Enormes Ocas abrigam os candidatos à iniciação. Filas imensas se fazem nas portas. Muitos curumins choram, pais se emocionam e até pajés são vistos com os olhos marejados.aA iniciação já começou, e agora eles entendem o que é stress de homem branco.

Seus pais fazem os últimos rituais junto aos pequenos. Pequenas danças, cânticos, saudações aos Deuses. Alguns vieram pintados para guerra. Não havia nenhum exagero nisso.

A separação é obrigatória. Aos poucos, ainda olhando para trás, eles são impelidos a entrar na grande oca. Na porta são obrigados a deixar o arco-e-flecha, que fica retido até que terminem o ritual, já que lá dentro, o uso dele é proibido, o que os deixa ainda mais inseguros.

Faltando poucos minutos para o fechamento da oca, alguns pais começam a exigir o fechamento das palhas. A competição evoca os espíritos de porco e a chuva que cai leva embora a bondade dos antepassados.

E então, finalmente as palhas se fecham. Muito pais pulam, gritam e aplaudem. Alguns curumins chegam correndo, atrasados, seguidos pelos pais, abrindo um lento e tortuoso caminho na multidão. Alegam que a canoa furou, encalhou ou virou, tiveram que subir em árvores esperando a onça ir embora ou contam que uma sucuri cercou a cabana na hora em que iam sair para o ritual. Nada sensibiliza os guerreiros que tomam conta das palhas. Curumins choram copiosamente, dolorosamente. Pais fazem danças tristes, mães culpam os pais, pais culpam a mãe natureza. Enquanto isso, pais de curumins que entraram, dançam alegremente o sensível aumento da probabilidade estatística de que seus filhos serão aprovados no Kon-Kurso. Selvagens! Barbárie! Há muito a evoluir para o estágio civilizatório.

A balbúrdia aos poucos vai cessando. Aqui e ali, grupos praticam rituais religiosos. Evocam Deuses, Pitágoras e Bhaskara. Outros demonstram resignação e passividade pois não há mais nada que possam fazer. Uns dormem exaustos enquanto outros trançam palhas. Alguns pais preferem pegar a canoa, ir embora e voltar depois para pegar o pequeno índio, mas a maioria permanece em vigília aflita, como a convocar espíritos para cobrir a Grande Oca de Luz e Paz para que os pequenos curumins não se sintam abandonados e sozinhos na floresta hostil.

A fé faz chover nos campos secos, irrigar a esperança e brotar vida nova.aldeia

Após uma longa espera, aos poucos, os indiozinhos começam a sair da Grande Oca. Exaustos, combalidos e abatidos como se tivessem acabado de resgatar o guerreiro Ryan.

Ansiosos, no tumulto seus olhinhos procuram seus pais que, com medo de perdê-los, sobem em árvores, pedras e ocas. Os pais mais serenos ainda retornam calmamente das ocas em suas canoas.

O reencontro é emocionante, como se não se vissem há quatro colheitas. Laços afetivos fortes como a trama das redes que colhem os peixes dos rios. A tinta dos corpos borra e se mistura, gerando uma curiosa miscigenação afetiva.

Mas nem todos serão escolhidos, apesar de todo o sacrifício. Ficarão tristes, sofrerão. Cabe aos pais não os culpar pela derrota, não cobrar tanto por uma competição tão acirrada, mas levantar o moral, incentivar e dar força para tentar novamente. O amadurecimento não acontece de repente, assim como uma árvore precisa de tempo para dar os primeiros frutos. Acredite neles e deixe isso explícito. Um dia eles certamente serão bravos guerreiros, caciques ou até mesmo pajés.

Enquanto isso, os eleitos à entrarem nas cabanas federais comemoram, dançam e cantam. A tribo está em festa.

Na rede, o orgulhoso pai enfim relaxa enquanto mira o imenso céu povoado de estrelas. E é justamente a Via Láctea que o faz perceber o período e a razão porque seus cabelos começam a ficar grisalhos.

E é bom que repousem, porque dentro de algumas poucas colheitas virá o Grande Kon-Kurso E-Nem. E um novo,  cansativo e decisivo ritual de iniciação indicará em que rios e com que canoas navegarão os mais jovens índios da Grande Tribo Brasil.

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O Paradoxo da Seringa

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Historicamente cabe ao pai a inglória tarefa de segurar o filho na hora da injeção da vacina ou de tirar sangue. É um momento que dói e nos sentimos carrascos. Como reagir? Temos de ser fortes, solidários ou sofrer junto?

Impossível esquecer seu rostinho sorridente alheio ao movimento em sua retaguarda.

Impossível ignorar a súbita contração dos músculos, o franzido da testa, o olhar triste para o pai, o sentimento de ter sido traído em sua ingenuidade.

Impossível não se angustiar e se emocionar com o choro forte após o segundo necessário para sua percepção da dor.

Mesmo sabendo que “é para o seu bem”, nós pais, NOS SENTIMOS MUITO MAL. É claro que a mãe também sente e é denunciada pelos olhos marejados e pelas mãos constritas, mas somos nós que o seguramos e a culpa resultante aliada ao compensador sentimento de dever cumprido nos deixa confusos. Ficamos felizes, pois estamos evitando um possível mal no futuro, mas ficamos tristes pela ingrata responsabilidade de “enganar” o baixinho.

Mais tarde, quando eles já são grandes o suficiente para não se deixarem enganar pelo significado de uma seringa, mas pequenos para se entregar sozinhos a uma coleta de sangue, a atitude paterna de imobilização se torna algo insuportável. O medo, o choro antecipado à penetração da agulha, a tristeza explícita, a vontade de fugir (do pai e do filho), a força excessiva para conter os braços e pernas de um corpinho frágil e doente nos faz envelhecer e nos sentir péssimos. O coração dispara e, durante os longos segundos em que o sangue é retirado, compartilhamos a tristeza e a dor como um ser uno. Pai e filho unidos de maneira singular.

Nunca mais somos os mesmos depois dessa experiência. As raízes da paternidade se tornam mais profundas quando recebemos o olhar, o abraço de perdão e sorvemos o sal de suas lágrimas após o sacrifício necessário. Esta atitude grandiosa deles nos ensina que o amor supera a dor e que o ressentimento nunca terá lugar em nossas vidas quando compreendermos que a partilha da dor reduz pela metade o sofrimento de quem a sente.

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Quando um Pai dos Anos 60 Resolve Brincar com o Filho dos Anos 90

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– Bem, vamos lá: Separe o baralho…

– Pai, é “cards”!

– Cards? Tá. Separe os cards em três grupos. Um com o símbolo do elemento fogo, outro com o elemento água e outro com o elemento terra e embaralhe separadamente. Retire de cada monte uma carta e coloque virada para baixo na área do “buraco negro”. Junte os três montes, embaralhe novamente e distribua sete cartas para cada jogador. Pronto!

– Pronto? Podemos jogar pai?

– Não, ainda não. Terminamos os preparativos para o jogo. Vamos às regras…. Filho? É isso mesmo, 17 páginas, em inglês?

– É sim, mas não deve ser difícil, meus amigos todos jogam. O pai do Vítor ensinou a ele. Ele sabe inglês. Você também sabe né pai?

– Ham, sei sim. Claro! Estou só um pouco sem prática, mas sei sim. É só um jogo. Papai lê manuais técnicos em inglês todos os dias. Sem problemas. Sem problemas…

Então vamos: cada jogador deve lançar o “dado mágico”. Aquele que tirar a “sombra maligna” começa primeiro.

– Sombra maligna? Pai, você está traduzindo certo?

– Claro filho. Claro…

– O jogador inicial coloca sobre a mesa, virado para cima a carta de maior valor de ataque ou de defesa e desafia os adversários a ter uma que o vença. Ei! Espera aí! Mas “Yu-Gi-Oh” é o mesmo que “Trunfo”, que eu jogava quando tinha sua idade!

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– Ah, mas no seu tempo não devia ser tão “bolado”.

– Meu tempo? Como assim, meu tempo? Ah, esquece!

Se o oponente lhe vencer na batalha dos monstros claws, então sua carta deve ir para o cemitério… Puxa! Que jogo sinistro…

– Pai? O que são “monstros claws”? Você não sabe traduzir? O pai…

– O pai do Vítor sabe!!! Você já me disse isso!!!

– Nossa! Como você está estressado?

– Pudera! Com um jogo tenebroso como esse!

– Eu acho legal…

– (suspiro) Tá! Continuemos: Se o oponente tiver uma carta do “Castelo das Negras Ilusões”, você poderá derrotá-lo com a carta “Mensagens dos Espíritos Condenados”… Nossa! Que desenho assustador… Você não sonha à noite com esse jogo?

– Sonho sim! Outro dia mesmo sonhei que tinha derrotado o “Mago das Trevas” com a carta “Espada dos Zumbis Moribundos”!

– Filho, me promete que não vai levar esse jogo às suas aulas de catecismo?

– Tá bom pai. Prometo. Mas a tia não liga não. Ela disse que o jogo é bastante ilustrativo.

– Ilustrativo?! É, pode ser. Ele faz a “Divina Comédia” parecer um conto de fadas.

– Olha filho, estou achando meio complicado… E ainda estou na página 2! Quer brincar de outra coisa?

– Ah pai…

– Podíamos brincar de outro jogo de baralho. Que tal “pôquer”?

– “Pôquer”? É legal que nem esse?

– Melhor! E bem mais simples. Tem uns nomes em inglês também. De Monstros! Horríveis!

– Éééé? Quais? Quais?

– Ah, tem o “Straight Flush”, o “Royal Flush”, o “Full House”…playing-cards-809356_960_720– Uau! Maneiro!!!

– Só não tenho mais as fichas…

– Fichas? Como assim? Não joga só com os cards?

– Baralho! É, dá para jogar sem as fichas sim, mas se fosse a dinheiro…

– Dinheiro? Iiiih…. Minha mesada já acabou…

– Quer saber? Esquece! Guarda estas cartas e pega o dominó para jogarmos.

– O do Pokémon ou o de bolinhas do seu tempo?jogo-de-domino-pokemon-festa-infantil

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