O Colo Essencial

baby-539969_960_720

– Pai! Coinho…

Os bracinhos estendidos para cima, o olhar carente, a cabecinha levemente tombada e o biquinho nos lábios não deixavam sombra de dúvida. Ela queria colo.

Não importa se a situação não permite, se as mãos estão ocupadas, se o cansaço é dominante, se é preciso ser malabarista a equilibrar pratos enquanto assopra a bola de gás. Ela quer colo!

Pode ser manha, pode ser sono, pode ser medo, pode ser carência pura e simples. Ao pedir colinho ela está dizendo: – Pai, eu preciso estar perto de você. Inútil resistir.

baby-84639_960_720

Ao se embutir nos meus braços, ocupando cada reentrância, buscando o maior contato possível, pele com pele, a ponto das batidas do meu coração servirem de caixinha de música de ninar para os pequeninos ouvidos.

Ao balançar o corpo como se estivesse navegando em mar sereno, seus olhinhos encontram os meus e em cumplicidade partilhamos a comunhão em silêncio.

No colo reside a proteção dos imaturos, o acolhimento da tristeza e a segurança dos aflitos. Nele o mundo fica mais seguro, e os medos não alcançam mais os pequeninos pés.

Imagine-se pequeno, andar inseguro. Pessoas enormes cruzando por você a todo momento, andando, correndo. Pés, enormes tênis, sapatos altos, finos, bicudos. Cães que te cheiram, rosnam, latem! Sirenes, buzinas, freadas, apitos. Bicicletas, skates, patins, triciclos, rodas de toda espécie. Cheiros, sujeira, fumaça, insetos! Não ia pedir colinho não?

Sobre os ombboy-373441_960_720ros do pai, a realização. A visão elevada três vezes o próprio tamanho. O equilíbrio garantido pelas orelhas como rédeas. O trote que faz os finos cabelos saltarem no ritmo dos passos paternos. A liberdade que faz jogar a cabeça para trás a mirar o céu azul sem nada a interpor no caminho. Gostoso demais!

É no colo que o indefeso febril entrega-se sem perceber os braços que buscam a percepção sutil do grau a menos.

É no colo que, distraído e traído pela confiança, a súbita agulha que traz saúde o faz chorar. Tristeza compartilhada.

É no colo que o acolhemos, galo na testa, choro preso por segundos angustiantes que parecem horas.

No colo o recebemos, volta para casa do trabalho. Braços abertos. Saudade imensa. Abraço que balança e sacode emoções.

baby-344324_960_720

No colo, exausto e vencido pelo sono, o levamos para a caminha onde, suavemente o edredom compensa o aconchego dos braços exaustos.

Ninar no colo é uma experiência deliciosa. Para ambos. Acalmar o choro, serenar o corpo. Canções que ninguém ensinou brotam da alma e embalam o pequeno carente em um exercício de paciência e amor, pois para acalmá-lo é preciso estar calmo.

Na penumbra do quarto, o bebê repousa no colo do pai. A dança do ninar sob o cântico sussurrado envolve de paz o momento íntimo, atraindo anjos infantis que suavemente sopram as pálpebras até que os cílios finalmente se encontram, e o sono se faz em paz.

sleeping-217110_960_720

Leia também:

A Cadeirinha de Bebê Mudou sua Vida e Você nem Percebeu

Os 11 Estágios e Formatos de um Cordão Umbilical

Anúncios

3 comentários sobre “O Colo Essencial

  1. Pingback: E se o pai de Beethoven tivesse colocado ele no judô? | Mamão Papai

  2. Pingback: Os 11 Estágios e Formatos de um Cordão Umbilical | Mamão Papai

  3. Pingback: Quando um Cachorro de Pelúcia Ameaça Apressar o Fim da Infância | Mamão Papai

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s