Os Sinais das Descobertas dos Limites Infantis

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– Pai! Pai! Pai! Olha!!!

Ao ter certeza que minha atenção estava concentrada sobre ela, deu uma cambalhota para trás, mergulhou, deu a volta sobre o próprio corpo e voltou à superfície da piscina, ofegante e com um sorriso molhado.

– Viu só? Sem ninguém me segurando!

Existe uma época em que os pequenos aprendem com uma velocidade espantosa coisas que julgamos banais, mas que são grandes conquistas no universo infantil. E sentem um grande orgulho por isso e, é claro, exigem que participemos integralmente de cada descoberta.

Por isso a aflição, a ansiedade e a aparente angústia que sentem ao nos solicitar, como se o mundo fosse se acabar no instante seguinte sem que pudéssemos ser testemunhas de sua evolução.

E usam métodos bastante convincentes para isso. Pulam, gritam, choram, puxam a roupa, o cabelo, as pernas, esperneiam e chamam a palavra Pai como um mantra que se repete incessantemente ou até que interrompamos o que quer que estejamos fazendo para simplesmente, olhar.

E é bom olharmos.

– Pai! Pai! Pai! Olha! Sem as mãos!

– Pai! Pai! Pai! Olha! De cabeça para baixo!

– Pai! Pai! Pai! Olha quanto tempo fico sem respirar debaixo da água!

– Pai! Pai! Pai! Olha como eu corro para trás, descalço numa tábua cheia de pregos e cacos de vidro!

Convém olhar…

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Na ânsia de aprender (e fazer disso um fato relevante) eles correm pequenos riscos e precisamos ficar atentos para não destruir a pequena autoestima enquanto os protegemos.

Apoiar, elogiar, reconhecer, parabenizar e ao mesmo tempo apontar limites. Não é nada simples. Não passar apreensão ou medo e ao mesmo tempo incentivar. Fronteiras sutis.

Em cada experiência uma lição. O que podem e o que não podem, o que é perigoso, o que está no limite entre a emoção juvenil e a irresponsabilidade adulta.

Tentar, conquistar, fracassar, vencer, errar, se superar! Amadurecer.

Buscam aprovação, repreensão, educação.

Galos na cabeça. Muitos deles. No queixo, joelhos, cotovelos, testa, mãos: cicatrizes que carregamos desta fase, muitas são quase imperceptíveis quando crescemos, mas são visíveis sinais das descobertas dos limites.

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Mas essas crianças crescem, e os limites se tornam mais complexos, assustadores e angustiantes para um coração paterno.

E eles tem a noção exata do que isso representa para nós. Por isso, existem coisas que eles nunca vão te chamar para olhar. E é até melhor que seja assim.

– Pai! Pai! Pai! Olha! Eu voando de asa-delta!

– Pai! Pai! Pai! Olha! Eu escalando o Morro da Urca!

– Pai! Pai! Pai! Olha! Eu fazendo rafting em uma corredeira em Lumiar!

E você, pai, só vai ficar sabendo bem depois. Depois dos amigos, depois da mãe, quando menos esperar. E pelas Redes Sociais.

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