Porquê Deixamos de Ver Elefantes nas Nuvens?

clouds-801887_960_720– Pai, olha lá um elefante no céu!

Sem abrir os olhos, ciente do absurdo que minha filha descrevia, ignorei o chamado e continuei relaxado na cadeira da piscina. Mas ela insistiu:

– Olha lá: a tromba, o rabo, os olhinhos, a barriga…

Diante da insistência, arrisquei abrir um olho, teimando contra o sol que ofuscava, e a vi com o dedinho em riste para o céu, apontando para uma nuvem que ameaçava acabar com o meu domingo.

– Onde, filha?! Perguntei envergonhado por não enxergar nada além de uma cumulus-nimbus, indicação de chuva à tarde.

– Você não ta vendo, pai? Perguntou ela com uma ponta de impaciência e indignação.

– Éééé… tôôô. Mas ela percebeu minha mentira, botou as mãos na cintura e apontou novamente para o céu, já um tanto braba comigo.

– Você demorou tanto para olhar que agora o elefante virou um dinossauro!!!

– Virou mesmo?!

– É! Olha lá! Olha o fogo saindo de sua boca!

Com as mãos protegendo os olhos do sol fiquei olhando por longos minutos para o céu ao lado de minha filha tentando lembrar em que momento de minha vida havia perdido a capacidade de fantasiar, de enxergar o que não é real, de imaginar e expressar a inocência.

Que acontecimentos foram lentamente deixando para trás o ilógico e o lúdico, tornando-me um ser racional?

Assim como as nuvens, todos nós nos transformamos com o tempo, moldados pelos ventos, ora em uma direção, ora em outra, ora ascendente, ora descendente. Por vezes, apenas uma brisa, que lentamente muda nosso ser, dando-nos tempo para a percepção do sentido a ser tomado, mas muitas outras, são fortes ventos que nos arrastam a novos caminhos, sem escolha, vontade e reação.

Passamos ao longo da vida por algumas tempestades, que acabaram por dissolver as nuvens de nossa existência em lágrimas de chuva. Mas o Sol sempre volta. Sempre volta.

sky-802072_960_720Assim, após muitos anos, de ciclos ininterruptos de Sol, vento e chuva, nosso caráter se molda e com ele nossa capacidade e forma de reagir a novos estímulos.

Não podemos controlar o tempo. A previsão é uma ciência inexata. A meteorologia da vida é imprevisível e não nos dá o direito de lamentar a chuva quando tudo o que queríamos era o Sol. A maturidade do tempo nos ensina a aceitar as mudanças, inevitáveis. Não há por que lamentar a trovoada que anuncia a chuva forte, da mesma forma que devemos agradecer, sempre, quando há Sol.

Os ventos trazem os desígnios, e não nos cabe nos desviar porque não sabemos de onde, nem porque eles começaram a se formar, tampouco aonde eles irão nos levar.

Olhando para minha filha, olhinhos apertados para o céu, entendi onde o tempo me mudou, e focando novamente o céu pude distinguir nas formas de uma nuvem passante, a tradução da origem dos ventos:

– Olha lá filha, um anjinho lá no céu! As asas, a auréola… Mas quando a olhei novamente, ela já havia pulado na água e se esbaldava, espalhando água e infância para todos os lados. Silenciosamente, a agradeci pelos respingos da criança que fui.

smile-588421_960_720

Se você não conseguiu ver um elefante na primeira foto, veja abaixo a legenda:

elefante-legenda

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