Como um Pai se Prepara para ser Avô?

family-1827369_960_720Resolvi que já estava na hora de retomar a academia, abandonada após longos anos. Durante a entrevista com a professora veio a pergunta óbvia:

– Qual o seu objetivo em entrar para uma academia de ginástica?

– Conhecer os meus netos! – Respondi.

Mas isso foi há muitos anos. Hoje quero não só conhecê-los, mas brincar com eles. E para isso precisarei de muita saúde!

Por conta disso nós, pais, nos poupamos de certos riscos e adotamos o salmão, o tomate e o vinho tinto como símbolos de uma terceira idade saudável.

Não pretendo ser um idoso que nem consegue pegar um neto no colo. Quero ter joelhos fortes para estar à altura de suas brincadeiras e ombros resistentes para suportar o pequeno em sua antevisão superior do mundo.grandpa-1734273_960_720Quero poder andar de bicicleta ao seu lado e rolar pela grama molhada em cumplicidade moleque.

Quero ter bons ouvidos para ouvi-lo me chamar de vovô, como desejei um dia que me chamassem de papai.

Quero, enfim, enxergar com clareza meu neto crescer e se parecer comigo, como a constatar a perpetuação de meus cansados genes.

Quero, acima de tudo, passear com o neto, ao lado de uma vovó “enxuta”, em comunhão do sentimento de dever realizado.

Para isso preciso me cuidar, malhar e abandonar os exageros da juventude. É um preço justo.

Ter a alegria de recriar, com a experiência e a sabedoria de já ter realizado, e sem as neuras comuns da paternidade.

É claro que os avós mimam os netos! E o fazem não porque querem “estragá-los”, mas porque desejam reviver as alegrias da criação sem a responsabilidade da educação.

Com os netos, o ciclo se fecha, e o homem encontra sua razão paterna.


Sozinho na varanda, vivia o momento do vácuo da paternidade, quando a referência do pai passa a ser uma lembrança e a vivência como pai ainda é esperança. Vasculhava o céu em busca de sinais que acalentassem a dor dentre as milhões de estrelas, mas só recebia em troca o silêncio da noite morna.

E de todos os seus ensinamentos, um deles muito simples me veio à memória, de nossas muitas conversas sobre o espaço.

– Quando olhar para o céu e o astro piscar é porque é uma estrela, senão, é um planeta.

De repente, vi surgir muito longe um avião em rota inesperada, e resolvi acompanhá-lo rasgando o espaço. Ao ocultar um planeta, este momentaneamente, piscou. Era o sinal que procurava para entender que o pai que eu perdera estava vivo em minhas memórias, em minhas experiências e em minha vida. E tudo que ele me ensinou será devolvido para o filho crescente, que ainda amadurece no ventre da mãe. E este terá muito orgulho do Vô, que não conhecerá, mas que aprenderá a admirar apenas com a lembrança, o orgulho e a saudade viva no coração de seu futuro pai.

No céu, as estrelas piscam eternas, como sentimentos hereditários.

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