Priorizando os Filhos (a Teoria do Pão de Forma)

bread-906886_960_720

Desde o primeiro momento em que constatamos nossa paternidade entendemos que as prioridades são imediatamente transferidas para nossos filhos. E isso vale desde o nosso sono até a decisão de quem vai ficar com a casca do pão de forma. Você já passou por isso?

Você já precisou decidir entre assistir:

  • Campeonato Brasileiro ou Barney e seus Amigos?
  • Filme de ação com gritos, barulhos e violência ou uma animação leve da Disney?
  • Sport TV ou Cartoon Network?
  • Discovery Channel ou Discovery Kids?

Você já teve de escolher entre dividir o edredom com a esposa ou compartilhar a cama de casal com um baixinho que acredita firmemente que há um “monstro” embaixo da caminha dele?

Você já observou casais com filhos pequenos em restaurantes? A menos que a criança esteja dormindo, nunca pai e mãe comem juntos. Um deles sempre está dando o colo, passeando ou brincando com o filho, enquanto o outro come. E então o casal troca. Ceder passa a ser uma coisa natural. E tudo bem!

Você, que já torrou no sol quando mais jovem e hoje não suporta mais o sol de meio dia na praia, fica empastelado de protetor, encolhido debaixo da barraca mas aceita ficar “só mais um pouquinho” porque, afinal de contas, “eles estão se divertindo tanto…”. Isso depois de abrir mão de sua caminhada na floresta em prol de uma praia disputadíssima: “Mas pai, você vai pro meio do mato num dia desses???!!!”. Difícil contra-argumentar…

Então você já sabe que junto com o filho vem o sentimento de culpa e uma vozinha na consciência que está constantemente nos cobrando mais participação, mais tempo juntos, mais partilha de nosso tempo em favor deles.

Temos que admitir que, no início ainda resistimos, mas ao perceber o quanto a mãe renuncia de forma incondicional, incontestável e absoluta a coisas que costumavam ser essenciais antes do nascimento, só nos resta ser solidário e procurar saber o resultado do futebol somente mais tarde, pela internet. held-by-his-father-this-infant-was-receiving-an-intramuscular-immunization-in-his-right-thigh-muscle-725x520

E isso é especialmente evidente quando eles ficam doentes. O foco passa a ser exclusivo para eles e somente a saúde deles nos interessa, nem que para isso tenhamos de ficar acordados até que a febre baixe, passemos horas aguardando o atendimento em hospitais em plena madrugada e larguemos tudo para leva-lo ao médico, fazer exames e tratar de sua saúde.

A verdade é que não há trabalho, não há estudo, não há nada no mundo que seja mais importante que cuidar deles.

O mais incrível é que assimilamos de tal forma esta priorização de interesses que, mesmo após eles terem crescido, se tornando adolescentes e jovens independentes, continuamos a colocar na balança as decisões banais do dia a dia.

Claro que passamos a disputar com mais determinação programas de TV, estações de rádio e o sabor de pizza, mas continuamos a abrir mão de horas de sono para pegar o filhote de madrugada em uma festa, deixamos de descansar à noite depois do trabalho para tirarmos suas dúvidas na escola e, ironicamente, acordamos antes da hora, para que eles não percam a hora.

Finalmente, é no alimento que esta renúncia se torna mais singular: se há dúvida se a porção que resta dá para dividir, inventamos uma desculpa, dizemos que estamos sem fome ou de regime e a divisão sempre acaba sendo feita conscientemente de forma injusta para nós, pais.

A última fatia de pizza, o último pedaço de queijo, o último iogurte, o final do suco, a última fatia de presunto. Para todas essas situações, o mesmo discurso: “Pode comer filho! Papai não quer não.”

Daí a “Teoria do Pão de Forma”: Passamos a elogiar a casca: “até que é não é tão seca”, “se passar bastante manteiga fica bom”, “é mais saudável”. Tudo mentira! Mas não queremos que eles saibam que abrimos mão por eles. Iam ficar muito presunçosos e acabar achando que o mundo vai agir da mesma forma com eles, sempre. Não vai! Educamos para que disputem e conquistem a sua parte. Com ética, honestidade e caráter, mas que conquistem o essencial do pão de forma de suas relevantes vidas!

Priorizar os filhos é, portanto, a forma mais prática de demonstrar o amor que sentimos por eles.

 

P.S.: Eu soube por um pai, amigo meu, que se juntar as duas cascas com requeijão fica uma delícia!

bread-1179921_960_720


Gostou deste texto? Então deixe aqui o seu comentário:

Nome (exigido)
Email (exigido)
Comentário
Submeter

Se quiser ler mais do Mamão Papai, eu indico estes textos:

A Cadeirinha de Bebê Mudou sua Vida e Você nem Percebeu

Os 11 Estágios e Formatos de um Cordão Umbilical

Você já curtiu a nossa página no Facebook?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s