O Inesquecível Primeiro Dia na Escola

boy-160168_960_720Foram meses e meses de pesquisa e peregrinação atrás de uma escola que fosse perfeita para nosso pequeno. Um lugar que reunisse qualidades e características tão variadas quanto o número de fraldas usadas no primeiro mês de vida.
Seria possível existir um lugar que tivesse:
  • Segurança
  • Professores pacientes, capazes e treinados
  • Acompanhamento de psicólogo
  • Projeto pedagógico
  • Alimentação adequada
  • Horário compatível com nossos afazeres profissionais
  • Espaço adequado para as atividades livres
  • Salas de aula bem iluminadas, arejadas e com poucos alunos
  • Bom preço
  • Material didático apropriado
  • Metodologia de ensino que não fosse nem rígida nem liberal demais
As entrevistas com as coordenadoras faziam parecer que cada escola visitada parecesse perfeita, mas felizmente a intuição e percepção materna reduziram o número para duas ou no máximo três.
Mas, enfim, a busca havia chegado ao fim! Encontramos a escola que mais se assemelhava aos nossos ideais, e é claro que tivemos de fazer vista grossa para certos aspectos antes considerados absolutamente relevantes para a escolha final.
De forma consciente, achamos até normal o escândalo que algumas crianças faziam para entrar na escola, se recusando veementemente a passar pelos portões como se representassem a passagem para uma dimensão habitada pelas figuras mais apavorantes do universo infantil.
Ignoramos também os gritos assustadores que vinham de uma sala de aula de artes sob o argumento nada convincente da coordenadora de que estavam ensaiando para uma pecinha de teatro da Bela e a Fera.
Fingimos que nem notamos a súbita e constrangedora entrada na sala da coordenadora de uma criança com os cabelos tomados de tinta verde de mãos dadas com uma professora à beira de um Rivotril.children-808664_960_720A expectativa era crescente à medida que se aproximava o primeiro dia de aula. A compra do material escolar sem faltar um item sequer (incluindo os quatro rolos de papel higiênico?!), e do uniforme com todos os itens possíveis, incluindo o casaco em pleno mês de fevereiro (“é que a sala tem ar-condicionado”).
Chegado o dia tão esperado, a memória da câmera quase se mostrou insuficiente para todos os registros: em casa, com os avós maternos, com os avós paternos, com os pais, com os padrinhos, no carro, na porta da escola… Tudo com o uniforme impecável, o cabelo sem um único fio desalinhado, o tênis alvo como a pele após o banho que removeu os encardidos mais persistentes.
Avisei meu gerente com uma antecedência de 15 dias que neste dia chegaria mais tarde, afinal tratava-se de um evento único, especial e inesquecível!
As crianças chorando à nossa volta, o imenso tumulto e falatório de famílias inteiras, a buzinação na rua devido à fila tripla de carros e o sinal estridente da escola chamando para a entrada não ajudavam em nada a diminuir sua apreensão, demonstrada pelo aperto de sua mão suada e de seu olhar franzido me questionando se a escola era mesmo tããããão legal como há meses tentávamos lhe convencer.children-602967_960_720Na porta da escola, o sinal tocou mais uma vez e o portão finalmente se abriu. Não pude conter a emoção quando o beijei e lhe desejei tudo que um pai pode querer para um filho que inicia uma vida escolar. Os olhos marejados, o choro contido, o nariz vermelho e a preocupação constante de não lhe passar ansiedade, medo ou qualquer outro sentimento que o fizesse temer o novo universo que agora surgia a sua frente.
Mil perguntas passavam pela minha mente: Como ele irá reagir? A tia será compreensiva com os seus mimos? Será que algum amiguinho irá lhe fazer mal? Será que ele irá chorar ou sentir falta dos pais? E se ele se machucar no recreio? E se esquecemos de algum material? E se…?
A angústia e a ansiedade atingiam seu grau máximo enquanto ele atravessava o portão da escola. Beijinhos e acenares simultâneos aos flashes de minha câmera se prolongaram até ele desaparecer de nossa vista, deixando-nos com um sentimento confuso de alívio e culpa.school-1665535_960_720

Mas o pirralho podia ao menos ter olhado pra trás!!!


 

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