Quem Escolhe o Time do Meu Filho Sou Eu!

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A decisão que leva um casal a ter um filho envolve muita reflexão, contas e um consenso absoluto. A decisão do time que ele vai torcer, ao contrário, é imediata, unilateral e acontece antes mesmo que ele exista ou tenha uma consciência.

Amigos, familiares e colegas de trabalho tentarão de todas as formas que o bebê tenha outro time, que não o de seu pai. E farão uso de métodos baixos, como dar de presente roupinhas fofinhas, toalhinhas, mamadeiras, chupetas, uniformes completos e até mesmo chuteiras com a marca de times adversários.

– Mas você vai mesmo jogar fora o presente que seu irmão deu para nosso filhinho?!

– Claro que não. Usaremos como pano de chão!

Um pai deve se imbuir do espírito de um guerreiro samurai para revidar toda e qualquer tentativa de mudar o time que ELE escolheu, afinal, ELE detém todos os direitos e ELE tem a prioridade na escolha, porque não dá para esperar que a criança cresça e escolha. Pra que correr esse risco desnecessário?

Time é coisa sagrada, e é hereditário. É inconcebível que um filho tenha um time diferente daquele que faz o pai sorrir e sofrer.

Cheguei a incentivar que meu afilhado tivesse o mesmo time do pai mesmo sendo diferente do meu quando percebi que forças poderosas tentavam ele com um terceiro time. Claro que meu time é melhor, mas priorizei a harmonia entre pai e filho e o equilíbrio do Universo.

Afinal, como ir ao estádio de futebol com camisas diferentes e sentar em torcidas diferentes?

Como torcer contra o time do filho ou o time do pai em duelos diretos sem que haja estremecimento nas relações familiares?

Como zoar sem magoar a paternidade?

Levar o filho pela primeira vez ao estádio ver uma partida de futebol é algo incrível, mas requer um ritual e passa por um longo período de convencimento da mãe, que exige que nós:

1) Não iremos a jogos com grandes torcidas adversárias.

2) Não iremos sentar próximo à torcidas organizadas (recomenda-se ficar entre ela e a torcida adversária).

3) Não iremos desgrudar os olhos dele nem mesmo durante os lances de gol.

4) Não iremos nos envolver em qualquer tipo de tumulto. Nem mesmo ônibus cheio na volta do jogo.

5) Não iremos ensinar novas palavras que ele possa repetir durante os encontros familiares ou nas aulas de catecismo.

É óbvio que não vamos a um jogo contra um time que perdemos 7 em cada 10 partidas. Escolhemos um no qual a probabilidade de sairmos felizes seja imensa (veja bem, eu não disse grande). É questão de sobrevivência. Se o filho perceber que o time que seu pai torce vive sendo derrotado, goleado e massacrado pelos adversários, nada no mundo o convencerá de que deve ser fiel a ele. E o desgosto virá, e ele será amargo como um jiló.

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Assistir um jogo de futebol em um grande estádio, cantar junto o hino do time, abraçar nosso filho quando o time faz um gol, fazer selfies com o gramado no fundo, vestir o mesmo uniforme, comer um cachorro-quente da Geneal e sair do estádio com a multidão exaltando a vitória são momentos únicos, felizes e inesquecíveis. E não é privilégio de meninos não! As meninas curtem tanto quanto, e são torcedoras surpreendentes!

Mas não exagere: é normal que os filhos testemunhem momentos de euforia e depressão do pai por causa do resultado de um jogo. No entanto, eles precisam perceber que o pai aceita as derrotas como algo possível, e comemora as conquistas sem precisar ficar inconsciente por efeito do álcool. Isso passa uma imagem de equilíbrio, e eles serão o seu reflexo.

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Por tudo isso, quando ele já estiver com idade suficiente para dividir o sofá e a pipoca com você diante de um jogo de futebol do seu time, aja com a maturidade que for possível numa situação destas. Eles vão te imitar. Lembre-se sempre disso!

É sabido que o futebol, assim como os demais esportes, são práticas muito semelhantes à situações da vida real. As crianças aprendem desde cedo que às vezes se ganha e às vezes se perde. Que é bom demais vencer e comemorar, assim como é chato quando somos derrotados e ficamos tristes. Aprendem que quando alguém ganha, alguém perde. Que é preciso estar muito bem preparado para ganhar mais do que perder. E que perder não é o fim do mundo, mas um sinal de que é preciso mudar o que está errado, e voltar a vencer.

Claro que passar estas lições durante um jogo é algo inviável, pois as emoções estão exacerbadas. Mas use o futebol como referência quando ele for mal em uma prova, da mesma forma que quando realizar conquistas. No universo infantil, conseguir andar sem as rodinhas da bicicleta pode corresponder a ganhar uma Libertadores da América.

A torcida por um time de futebol é uma paixão! Compartilhar este sentimento com seu filho, sua paixão, eleva a paternidade a um nível de comunhão. Torça, mas torça muito com e pelo seu filho! Ambos ainda te darão muitas alegrias!

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