A Lição que o Balanço Ensinou para Minha Filha

girl-996635_960_720 Domingo de sol, descemos eu e minha filha ao play. Eu, otimista mais uma vez com a possibilidade remota de ler o jornal e ela com uma pilha de brinquedos, bonecas e coisas com sentido particular. Você se identificou com esta situação?

Ao ver o parquinho, largou tudo e foi correndo em direção ao balanço, enquanto eu, resignado, repousava minha leitura no banco de cimento.

Ela subiu e segurou as cordas enquanto eu me posicionava às suas costas, pronto a empurrá-la. Foi quando, surpreendentemente, ela me disse:

– Não precisa me empurrar não, pai. Olha só! Eu aprendi a balançar sozinha!

Levei alguns instantes até me dar conta que eu não era mais necessário e fiquei ao seu lado, surpreso e com uma estranha mágoa. Ela reforçou minha nova situação e meu remorso.

– Pode sentar pai! Pode ler o seu jornal!

Surpreendido pela sua maturidade inesperada, lentamente me sentei ao lado do jornal, que permaneceu intacto.

– Olha pai como eu vou alto!

Fiz menção de me levantar e limitar sua liberdade porque temia pela sua integridade, mas me contive e me mantive em alerta para o caso de um acidente súbito. Aos poucos, fui relaxando e observando.

Que curioso! Quando eu a empurrava não percebia a beleza da brincadeira. Era um gesto tedioso e mecânico enquanto pensava nos problemas do trabalho, nas contas a pagar, nas notificações nervosas do smartphone e em todas as coisas que eu deixava de fazer para tão somente, empurrar. E agora que ela ganhara a independência, eu me sentia melancólico por não mais compartilhar de sua brincadeira…

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Então eu fiquei admirando ela subir e descer e ir para frente e para trás, em um gesto simples, mas eficiente com as pernas, e vi seus cabelos soltos balançando ao vento acompanhando a perspectiva variável chão-horizonte-céu-horizonte-chão.

Observei seus olhos cerrarem ao olhar para o céu brilhante contra o sol que franzia sua testa, e um delicioso sorriso surgir ao se perceber desafiando a gravidade quando raspava o chinelo no chão.

Como que entorpecido por um pêndulo, senti uma grande paz interior ao acompanhar o movimento inebriante, e senti que o tempo havia parado por alguns instantes em reverência à pureza infantil.

Foi então que me dei conta de que, através de uma simples brincadeira de balanço, minha filha havia aprendido a vencer seus medos, a ser independente e saber que sempre que a vida lhe empurrar para trás, ela usará suas próprias pernas para se superar e voltar a vencer sempre, para frente e para cima.

– Olha pai, como seu impulso me levou longe!

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