O Penetra Justificável

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“Venha se divertir com muita música e brincadeiras. Deixe seu filho com nossos animadores às 17:00 e pegue às 21:00”.

O convite estava bem claro: não era permitida a entrada dos pais. Mas a angústia que sentimos toda vez que recebemos um convite nesses termos nos tira o sono e a paz.

Entendo que nem sempre é possível chamar todos os amiguinhos da escola, do prédio, da rua bem como parentes com os respectivos responsáveis.

Entendo que, sendo uma festa infantil, nada mais natural que somente crianças participem, além é claro dos parentes e amigos mais chegados.

Entendo também que crianças não estão nem aí para buffet de frios ou salgadinhos quentinhos e tampouco bebem cerveja.

Não se trata de discriminação, é pura necessidade.

Daí a opção natural pela festa “deixe agora e pegue depois”. Nada mais prático.

Mas como podemos confiar a responsabilidade de nossos pequenos à animadores (ainda que treinados e competentes) sem ao menos realizar uma, digamos, perícia técnica no local da festa, além de uma análise curricular seguido de entrevista e apurados testes psicológicos nos recreadores?

Pode parecer paranoia. E é.

Nesses casos, o melhor a fazer é dar uma desculpa nada convincente à dona da festa tipo:

– Nossa! Viemos de tão longe…

– É que ele acordou meio resfriadinho hoje…

– Vou ficar só um pouquinho para ver se ele não chora… (e ficar até o final)

– Ele não está acostumado a ficar sozinho…

E aí então entrar com o filho, sentar num canto discreto de onde você possa, ao mesmo tempo, ver a criança e ser visto pelos garçons. Tudo com um ar totalmente constrangido pelo “mico” e pelos olhares reprovadores dos eleitos a participarem do evento que condenam minha fraqueza, imaturidade e incapacidade de prover aos filhos responsabilidade, liberdade, auto-estima, e tantos outros sentimentos que eles necessitam para sobreviver em um mundo de competição selvagem, pleno de concursos de admissão, disputas ferozes pelo mercado de trabalho e até mesmo na escolha do time da pelada.

Mas ele só tem 3 aninhos!!!

Mas, oh não, supremo vexame, a dona da festa vem em minha direção e me pergunta com ar piedoso se estão me servindo e ainda pede ao garçom para me levar um pratinho com os salgadinhos, não sem antes me recomendar:

– Fique à vontade, viu?

Soa como sarcasmo, mas é apenas uma formalidade burocrática.

Bem, pelo menos o animador não irá me chamar para participar das brincadeiras..

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