Todo Pai Vira um Gato quando o Filho Some

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Filho a gente cria para o mundo! Quantas vezes você já ouviu isso quando demonstrou sinais de preocupação com a segurança deles?

Diferente do que se estabeleceu como verdade absoluta, os pais também sentem o sumiço dos filhos, mas insistem em preservar uma imagem de tranquilidade como forma de tentar equilibrar as relações familiares e assim dar serenidade à mãe, que expressa de forma mais aguda sua preocupação. Mas como um pai lida com esta bipolaridade?

Nos primeiros anos de vida do filhos, os pais se sentem seguros porque há uma notória dependência. Da fase do colo até a pré-puberdade, eles não vão a parte alguma sem que os pais saibam onde, que os pais levem ou que os pais busquem.

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Mas aí vem a puberdade e a adolescência e a tranquilidade desmorona. Passam a ir para a escola sozinhos, pegam transporte coletivo, táxi, van, carona, vão a inúmeras festas e nem sempre é possível você levar ou buscar e tampouco eles desejam isso.

Lembro que, na minha adolescência, a única forma de “comunicação móvel” era o Orelhão, com o agravante que não era possível ligar para ele e nem saber se estava perto de um, ao menos um que estivesse funcionando. A cartela de fichas do Orelhão era tão indispensável quanto a atual preocupação com a carga da bateria do celular.

Hoje, ter filhos em uma grande cidade requer estratégias quase militares, planos de contingência confiáveis e uma boa dose de equilíbrio emocional para segurar a barra de si, e da mãe.

Acontece da seguinte forma:

Antes deles saírem para uma balada você pede o contato de pelo menos dois amigos, checa a bateria do celular, se estão conseguindo fazer e receber ligações, combina uma hora para chegar em casa, deixa dois ou três telefones de cooperativas de táxi, checa documentos, dinheiro, coloca na carteira toda a sorte de símbolos religiosos, instala aplicativos de localização familiar, liga periodicamente para checar se está tudo bem e na hora combinada de chegar em casa, nada.

Você então, com uma leve apreensão, liga para ele, mas cai em caixa postal. Nervoso, liga para os dois contatos: um não atende e o outro fala sonolento que se desencontrou do seu filho, e inclusive já está em casa, dormindo. Corre para o localizador, que indica GPS desligado. Pânico! Começa então a ligar e a mandar mensagens para amigos que não estavam na lista inicial. Então, cria-se a RAPAI (“Rede de Apoio aos Pais Aflitos e Infartando”), que mobiliza famílias madrugada adentro tentando ajudar a localizar o jovem desaparecido. No desespero, você já começa a vasculhar o Twitter em busca de notícias sobre acidentes, e inevitavelmente, acaba achando, o que aumenta a aflição. Como um pai sábio e experiente, esconde da mãe para não piorar a situação.

O sentimento de impotência é dominante. O desânimo te dobra os ombros. A mãe começa a chorar e a lhe culpar. O Rivotril é teu maior aliado, mas você não aceita e se mantém frio, firme e calculista. Quase um James Bond em missão especial. As aparências enganam. Por dentro, pensamos no pior.

Aí, do nada, você escuta aquele som mágico e sublime da chave entrando na fechadura da sua porta, a maçaneta girando e seu filho entrando com a cara mais serena que a de um monge após meditar por horas e perguntar porquê, afinal, estamos acordados àquela hora?

Após a bronca descomunal, que ele julga exagerada, injusta e desnecessária, ele explica que emprestou o celular para um amigo (que não estava em nenhuma lista), se desencontrou dele e resolveu voltar de ônibus mesmo.

Mas como não imaginamos isso???!!!

Aí então ele vai para a cama dormir como um anjinho enquanto o alto nível de adrenalina em nosso corpo impede qualquer tentativa de uma soneca.

Isso explica o porquê de recebermos uma quantidade imensa de corações dos nossos filhos pequenos quando fazem trabalhos de arte na escolinha: assim como os gatos, a cada situação como esta, um coração se vai.

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