Brincadeiras que Ensinam a Entender a Vida

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Viajar ajoelhado no banco do carro, virado para o vidro traseiro, é uma das coisas mais gostosas que boa parte de nós já fez quando éramos crianças. Experiências ingênuas, como estas, nos ensinaram muito mais do que poderíamos imaginar. E contribuíram de forma definitiva para a formação de nossa maturidade.

A aceitação inesperada das mudanças de rumo, os desvios entre os carros e pedestres, os prédios que surgem de repente, imponentes, e vão diminuindo de tamanho até sumirem na próxima esquina, o Sol bailando ao sabor das curvas, o reflexo das nuvens nas vidraças dos prédios, tudo isso enquadrado no para-brisa traseiro, formam um passatempo delicioso e inebriante.

Ao ter esta perspectiva inusitada do mundo que nos cerca, vivenciamos uma rebeldia inocente, e sempre mal compreendida pelos nossos pais. Enquanto estamos absorvidos e embriagados por esta vivência, a mãe com sua mão protetora ampara nossas costas, sem tocá-la, em um gesto carregado do pressuposto que uma freada brusca me acordaria subitamente de meu sonho, e me faria acordar em seus braços carinhosos.

Aceitar os caminhos por onde passamos sem ao menos esperá-lo, sem tempo para querer, sem espaço para escolher. Não poder ver vindo, e então passar. Não saber por que paramos e tampouco porque voltamos a andar. Não saber quem nos acena, e nem porque acenamos de volta.

Ter tempo de apreciar casais se enamorando, os passos cadenciados e solidários do casal de idosos, a migração em V dos pássaros que buscam o verão, o cãozinho que passeia na cadeira de rodas, uma folha seca na última valsa antes de tocar o chão, toda uma vida que passa onde somos coadjuvantes no papel de inocentes.

cão cadeira

Detalhes que passam totalmente desapercebidos quando estamos absortos pela rotina e pelas preocupações. Isto se chama viver!

Desde crianças, aprendemos que a imprevisibilidade é algo natural, e nos acostumamos a encarar a vida dessa forma. Aprendemos a confiar em quem está nos guiando e nos deixamos levar por caminhos que desconhecemos. Aprendemos enfim, que para chegarmos onde queremos, muitas vezes precisamos passar por desvios, bloqueios, atalhos e pontes surpreendentes.

Conduzindo a Vemaguet, voz firme, sem espaço para contestação, meu pai dá o ultimato:

– Senta direito, menino!

Obediente a ele, volto-me para a visão frontal, a tempo de presenciar uma previsível manobra, sem surpresa. Pena…. Tivesse passado mais meia hora na perspectiva reversa e eu teria aprendido bem mais cedo a reconhecer os sinais, mesmo sem vê-los, e aprendido a respeitá-los e agradecê-los pelos destinos que a vida nos traz.

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