Por que os Pais Gostam Tanto de Fotografar os Filhos?

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Tudo começa com o vídeo da ultrassonografia feita no início da gravidez, e que é exibido animadamente para parentes e amigos, ainda que poucos consigam distinguir dentre as formas confusas, o perfil de um bebê. Mas isso é apenas o início de uma longa série de gravações que o pai fará ao longo da vida de seus filhos.

Sou do tempo que os registros eram feitos em rolo de filme em câmera fotográfica, de 12, 24 ou 36 poses. Sou do tempo que era impossível saber se o obturador já teria se fechado quando aquela pose memorável fora arruinada pelo movimento abrupto e sempre inesperado de sua criança. Sou do tempo em que era preciso esperar vários dias para saber se o momento mágico seria eternizado em papel fotográfico ou registrado na nossa memória, como toda mãe sempre fez.

Festas, eventos escolares, passeios, viagens, brincadeiras no play, dormindo, comendo ou mesmo sentado na privada. Toda uma vida registrada, como se fosse o Show de Truman, interpretado no cinema por Jim Carrey.

A família até que tolera a mania esquisita e raramente censura, salvo quando os esforços para que a fotografia saia boa supera os limites do bom senso, da boa educação e da civilidade.

– Para de fotografar e assiste!

Como se eu não estivesse vendo, ainda que através das lentes de minha inseparável câmera…

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Mas, porque temos tanta necessidade de guardar as lembranças dessa forma? Para explicar o motivo de meu estranho comportamento como pai, numa autocrítica rara, criei algumas teorias:

  • Por orgulho, adoramos mostrar as gracinhas de nossos filhos para quem não pôde testemunhar.

  • Por vaidade, queremos deixar evidências de nossos melhores momentos como pai para nossos descendentes.

  • Por insanidade, tememos esquecer o passado, e usamos as fotos para rememorar o inesquecível.

Como se fosse possível armazenar toda uma infância em uma simples caixa de sapatos…

Atualmente, a velha câmera de rolo foi substituída pela câmera digital, que está sendo substituída rapidamente pelo celular. Não imprimimos mais as fotos: as esquecemos na “nuvem”, em algum computador do Google em algum lugar do planeta. E esta facilidade alimentou o vício e multiplicou a níveis exorbitantes a quantidade de fotos que tiramos dos filhos. Não ficou bom? Apaga e tira de novo. Filmamos horas e horas, em alta definição, em slow motion, capturamos movimentos, momentos e emoções que nunca mais serão repetidos, mas raramente assistimos.

É duro perceber que os melhores momentos que me recordo ao longo de toda minha vida como pai são aqueles em que não estava com uma câmera na mão, porque ao constatar que as lembranças não poderiam ser eternizadas pelos neurônios artificiais, meu cérebro tratou de armazenar a ternura em forma de saudade, e sensibilizar minha alma e meus genes, perpetuando as lembranças da paternidade em sua mais verdadeira e pura essência.

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