Os 11 Estágios e Formatos de um Cordão Umbilical

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Estágio I – Nasceu!

Não havia como perde-lo de vista. Mesmo assim, o pediatra corta a ligação antes que nos acostumemos com a ideia.

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Estágio II – Colo

Dependem totalmente de nós. Impossível não saber onde ele está ou o que está fazendo. Até aqui, tudo bem.

Estágio III – Engatinhando

O início do fim da segurança. Podem ir a qualquer lugar, mas ainda dá para segui-los, apesar da velocidade surpreendente que alguns desenvolvem.

Estágio IV – Começando a ficar em pé

Se sustentam agarrando o nosso dedo, balançam feito gelatina e voltam ao Estágio III. Ainda sob controle.

Estágio V – Começam a andar

Ainda dependem de nós, mas não por muito tempo. Seguros pelas mãos, conseguem dar pequenas caminhadas, cansam rapidinho, e voltam ao estágio II. Descobrimos como dá trabalho evitar que se machuquem.

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Estágio VI – Andam sozinhos

Não precisam mais de nossa ajuda para se locomover, mas mesmo assim, seguramos suas mãos para que sigam na mesma direção que nós e não entrem na loja de departamentos enquanto piscamos os olhos Começa a fase do “Dá uma mão papai”

Estágio VII – Criança de Shopping

Você quer ver uma vitrine de uma loja enquanto ele quer ir aonde o dedinho deles aponta. É o início do período em que ele se joga no chão do shopping, faz pirraça, chora e faz com que todos os outros pais (que nunca passaram por isso) o julguem com um ignóbil e incompetente educador. A frase ganha tons dramáticos de urgência e ganha várias exclamações: “Dá uma mão papai!!!”

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Estágio VIII – Criança cansada

Seus objetivos já diferem quase totalmente dos da criança. Ela já não faz pirraça no chão do shopping, mas fica com ar entediado, suspira e segura a cabeça com as mãos em postura explícita de falta de paciência. É mútuo. A frase “dá uma mão papai” é substituída pela mão estendida, o que subtende que ela terá que procurar outro lugar para se refastelar enquanto fazemos nossas coisas.

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Estágio IX – Pré-Adolescente desbravador

Andam em bandos. Conhecemos seus amigos, onde moram e os pais dos seus amigos. Se vão a festinhas, levamos e buscamos (eles e os amigos). É a fase do pai taxista. Já não aceitam mais que segurem a mão. No máximo andam na rua esbarrando suas mãos nas nossas, em claro sinal de querer mostrar que não precisam mais de nós mas morrem de medo de nos perder de vista. São muito distraídos e nesta fase ensinamos a eles que o que para um carro é o freio, e não o sinal fechado.

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Estágio X – Adolescente indomável

Se você ainda leva na escola, pedem para parar bem antes ou bem depois. Nunca, em hipótese alguma, na porta. Nem pense em dar um beijo de despedida, vai ficar no vazio. Saltou do carro, vaza. Morrem de vergonha que você espere ele entrar. Imagina se os amigos virem! Vergonha é algo natural: da nossa linguagem, do nosso jeito de vestir, dos lugares que vamos, de que os pais se beijem, de andar junto, de praticamente tudo. Com muito esforço teremos o nome e o celular dos amigos com quem estão saindo. Esqueça a família deles. Não fazem nenhuma questão que os levemos às festas e boates. Mas ligam para que os buscamos, de manhã. Com sorte, não seremos confundidos com um Uber. Acreditamos sinceramente que sabemos onde eles estão. O diálogo é monossilábico, difícil e econômico nas palavras. Nesta fase, os pais aprendem muitas expressões e palavras novas, mas nem pense em usar com eles! O celular se torna um instrumento vital. Nos preocupamos mais com o nível de carga da bateria do celular deles do que com nossa própria saúde. Tentam de todas as formas romper com o cordão umbilical, e acham que conseguiram quando, na prática, simplesmente desistimos de tentar puxar.

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Estágio XI – Jovem independente

Com muito esforço teremos o apelido e o celular do amigo com quem está saindo, mas a multiplicidade deles inviabiliza qualquer cadastro. Muitas vezes saem pela manhã e voltam à noite, com sorte, tarde da noite. Se dizem que vão voltar cedo, acredite! Será quando o Sol nascer. Detestam que liguemos para saber se estão vivos. Continuamos a dar conselhos, todos ignorados com veemência, mas secretamente colocam o casaco e o guarda-chuva na mochila. Mochila que contém uma rica diversidade e é território privado. Nem pense em mexer! Aceitam participar de refeições com os pais, desde que paguemos. Até curtem participar de eventos juntos desde seja algo alinhado com seus princípios, que são muitos. Nós, pais, rejuvenescemos nesta fase. Ouvem as mesmas músicas que nós ouvíamos na idade deles, o que evidencia que os anos 80 foram muito, muito bons! Aceitam abraços, mas não se demore muito. Às vezes, o abraço é substituído por uma pisada no pé. Entenda que é uma espécie de carinho. O diálogo volta a acontecer e é rico. Nos ouvem, mas questionam, tem opinião crítica sobre quase tudo. Nos ensinam muitas coisas e precisamos ser humildes em ouvir, aprender e entender eles. Nos cobram atitudes, posições e confiança. O GPS é nosso maior amigo! O som das chaves deles abrindo a porta de casa com o dia amanhecendo é um momento sublime e tem forte efeito anestésico. Sentimos uma falta danada do “Dá uma mão papai”. E gostaríamos que eles também.

Uma amiga da família e grande psicóloga uma vez me disse que o cordão umbilical nunca é cortado, mas esticado. É preciso ser um pai sábio para saber dar corda ao cordão na medida exata, desatar os laços antes que se tornem nós e manter por ele um fluxo constante de comunicação.

No umbigo deles ficou apenas uma cicatriz. A ligação agora é puro amor paterno!

 

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9 comentários sobre “Os 11 Estágios e Formatos de um Cordão Umbilical

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