O que podemos aprender com as Gerações Y e Z?

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Sou um Baby-Boomer (quase X!), e pai de jovens das gerações Y e Z. Pelo menos é assim que fui enquadrado pelos estudiosos que classificaram as gerações baseado no período em que nascemos e pelas nossas características. Muitos já escreveram sobre os conflitos entre estas gerações, mas o que podemos aprender com estes jovens?

Em geral, os Baby-Boomers são aqueles que nasceram no pós-guerra até a primeira metade dos anos 60. Foram sucedidos pela Geração X, que enquadra os que nasceram na segunda metade dos anos 60 até o final dos anos 70 / início dos anos 80. Os Millennials (Geração Y) nasceram entre o início da década de 80 até a primeira metade dos anos 90, sendo sucedidos pela Geração Z, que vai até o final da primeira década do século 21.

Ou seja, a Geração Y tem hoje, em média, entre 22 e 35 anos, enquanto a Geração Z tem entre 8 e 21 anos. Então, é bastante provável que você seja pai ou mãe de um jovem de uma dessas duas gerações. Mas o que elas têm de tão diferente da nossa?

Jovens da Geração Y não têm muita paciência, e não teriam chegado a este parágrafo se os três primeiros não deixassem explícito qual o propósito deste texto. Eles buscam sempre dar um sentido às coisas e à própria vida, acreditando que tudo é possível. Por isso, sonham alto, porque não temem o novo.

Propósito! Propósito! Propósito! Esse é o mantra!

Millennials? Ainda estão comigo?

É um grande engano achar que, por serem impacientes, não terminam o que começam. A inquietude, o dinamismo e o imediatismo são a locomotiva (um termo bem Boomer, por sinal), que impulsiona tudo o que fazem. Tem foco no curto prazo e conseguem alcançar os objetivos simplesmente porque desenvolveram algo que as gerações anteriores achavam impossível: ser multitarefa.

E é por isso que você verá um jovem dessa geração assistindo um programa na TV ao mesmo tempo que acessa um canal no YouTube pelo notebook, passar a timeline no Facebook ou no Instagram (ou os dois juntos) no smartphone enquanto combina uma saída com os amigos no WhatsApp, escuta uma música no fone e te responde como foi a prova de Sociologia que fez na véspera. É difícil para nossa geração entender como isso é possível, mas não precisamos entender, simplesmente aceitar que, sim, para eles, é possível!

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Injustamente, são tachados de egoístas mas, pensar em si próprios não é ruim quando essa imersão tem como objetivo o autoconhecimento, fazer o que gostam, o que dá prazer e o que tem sentido. Sim, eles são fiéis ao que acreditam da mesma forma que os jovens dos anos 60 perseguiam e lutavam pelos direitos que supunham ser primordiais. Querem liberdade para escolher, buscam a realização pessoal, ter as rédeas, os valores e um estilo da própria vida. Bem razoável, não?

Tanto é verdade que não são egocêntricos, que é a primeira geração que se preocupa de forma determinada com as causas sociais, os desafios ambientais e a qualidade de vida. Tem foco no ser humano e desenvolvem atitudes sustentáveis para construir um mundo melhor para si e para as próximas gerações. Os jovens da Z e os Alpha (a partir de 2009) agradecem!

Afinal, eles nasceram convivendo com os grandes avanços da tecnologia, os computadores pessoais e a Internet. Muitos não conheceram o mundo sem a Internet. Por isso, são uma geração profundamente conectada. Dormem, acordam e tomam banho com um smartphone próximo. Não perdem tempo, como nós, pensando em uma solução. Buscam no Google, naturalmente!

Acontece que nossa geração fez algo sensacional e inexplicável para as que nos sucederam: fizemos uma faculdade sem o uso da Internet. Daí essa nossa mania esquisita de pensar antes de procurar no Google. Não se trata de orgulho besta, mas de hábito.

Em decorrência disso, confiam quase que cegamente na Internet e podem adquirir produtos sem um mínimo de prudência. Isso para nós que pensamos em todas as possibilidades de fraude antes de colocar o número do cartão de crédito em um site é uma agonia. Mas, aos poucos, vamos enfrentando e superando este medo, enquanto eles vão aprendendo a ter.

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O feedback é essencial em suas vidas, e vai desde a nossa opinião sobre a nova namorada (apesar de não perguntarem diretamente) até o que achamos sobre uma nova forma de investimento financeiro (que eles já fizeram).

Sim! Eles pesquisam, estudam e estão sempre encontrando novas formas de ganhar dinheiro. Diferente de nós, têm diversas fontes de renda, e dão um banho em nossa visão conservadora sobre economia simplesmente porque nós crescemos em um mundo de instabilidade financeira, inflação galopante e trocas constantes de moedas; um cenário que nos estimulou a guardar o dinheiro onde fosse mais seguro: de preferência em uma “caderneta de poupança”, e não em um banco virtual.

Estes jovens tem muitos valores, e não estou falando de dinheiro. A ética, a honestidade e o respeito são essenciais em sua visão da sociedade. Exigem respeito, igualdade e motivação para desenvolver suas atividades. São questionadores e não se deixam oprimir. Escutam e aprendem com os mais velhos, mas se sentem muito à vontade para nos ensinar e expressar suas posições sobre nossas atitudes, ainda que muitas vezes de uma forma ríspida e ácida. Sejamos humildes em aceitar.

No trabalho, valorizam e respeitam a competência, não a hierarquia. São líderes natos, apreciam o trabalho colaborativo, a transparência nas relações humanas e a comunicação que envolve um trabalho em equipe. São inventivos, criativos e inovadores ao oferecer ideias e soluções diferenciadas para resolver problemas. Gostam de trabalhar com metas, desafios e foco nos resultados. O ambiente tem de ser adequado para estimular a criatividade, flexível e alegre. A estabilidade dá tédio. Precisam de uma certa dose de incerteza para serem felizes, ou seja, é o oposto do que um Baby-Boomer desejava ao entrar para uma empresa, na qual pretendia se aposentar.

Assim, exigem reconhecimento baseado nos seus talentos. Se isso não acontecer, e rápido, vão embora sem nenhum tipo de apego à empresa onde trabalhou.

No entanto, uma pesquisa realizada este ano pela Deloitte com 8 mil Millennials em todo o mundo revelou que estes jovens estão procurando um trabalho que traga mais estabilidade, possivelmente reflexo da instabilidade econômica.

Claro que eles buscam o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional, como todos nós, mas vão privilegiar a primeira. Fato: as necessidades familiares e pessoais são prioritárias frente às demais.

Algo que acho fascinante é que eles são protagonistas da própria carreira, não esperam que alguém ofereça treinamento para se desenvolverem. Buscam cursos online e aprendem tudo sobre tudo que tem um propósito e valor. E aí oferecem o seu conhecimento a quem precisa em troca de reconhecimento financeiro. Prático, não?

Um conselho: não tente se comunicar com eles da mesma forma que sempre fez com alguém da sua geração. Eles se sentem completamente à vontade nas redes sociais e é por elas que ocorrem as relações interpessoais (principalmente os jovens da Geração Z). Pediu ao seu filho para para te ligar? Espere sentado. Eles vão te mandar uma mensagem pelo WhatsApp, pelo Messenger ou pelo Telegram, mas nunca, nunca usarão o telefone (para eles, torpedo é uma arma)! E esperam sinceramente que você veja, em tempo real, suas mensagens sucintas.

– Porquê você não avisou que ia dormir na casa do seu amigo?

– Mas pai! Eu te mandei um “Zap”! Você não leu?!

Não, não leu simplesmente porque você estava dormindo durante a madrugada.

Somos muito diferentes, é fato. Mas acredito realmente que os jovens das Gerações Y e Z não têm que seguir o comportamento e valores das gerações anteriores. Somos nós que estamos vivendo na geração deles, e não o contrário. Então, é lógico que nos adaptemos à era atual, sem que para isso tenhamos que violentar nossos sagrados ideais.

Não é o caso de assumirmos uma fantasia de uma geração que não é a nossa. Ia soar falso, patético e hipócrita. Mas se captarmos a essência destes jovens, entender que eles são uma evolução da nossa geração, têm muito em comum com a nossa (quando tínhamos a mesma idade), aprender com eles e trocar experiências, teremos uma relação entre pais e filhos mais equilibrada, justa e com alto nível de respeito.

Isto sim é amadurecer com sabedoria!

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